Sair
Assine
Entrar

  • Início
  • Brasil
  • Novo biossensor detecta proteína associada à depressão através da saliva
Ciência

Novo biossensor detecta proteína associada à depressão através da saliva

De acordo com o pesquisador Paulo Augusto Raymundo Pereira, um dos responsáveis pelo projeto, este é o primeiro teste a detectar a proteína na saliva

Publicado em 21 de Outubro de 2025 às 09:27

Agência FolhaPress

Publicado em 

21 out 2025 às 09:27
Saúde mental, depressão
Atualmente, existem exames que a detectam em laboratórios, cujos resultados demoram alguns dias para serem entregues e são geralmente mais invasivos Crédito: Freepik
Um novo teste de saliva, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos da USP, pretende acelerar e tornar mais barato o diagnóstico de depressão. Trata-se de um biossensor que monitora o nível da proteína BDNF, ou Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, um biomarcador crucial para o diagnóstico de transtornos mentais, associado à depressão. O teste identifica tanto níveis elevados como níveis baixos da proteína.
Atualmente, existem exames que a detectam em laboratórios, cujos resultados demoram alguns dias para serem entregues e são geralmente mais invasivos. De acordo com o pesquisador Paulo Augusto Raymundo Pereira, um dos responsáveis pelo projeto, este é o primeiro teste a detectar a proteína na saliva. "É o sensor com maior faixa de trabalho que existe na literatura", diz. O teste é descartável e de baixo custo. De acordo com Raymundo Pereira, a tira de mensuramento custa R$ 12.
O sensor captura a concentração da proteína na saliva, o material biológico é analisado e lido pelo aparelho, e os dados são enviados para um aplicativo no celular, computador ou tablet. "Não é necessário comprar nenhum outro equipamento, nada disso. É só fazer o download na lojinha de aplicativos", explica o pesquisador.
Vale ressaltar, porém, que o teste não consegue diferenciar uma queda temporária do nível de proteína BDNF de um quadro clínico de depressão estabelecido. Segundo o pesquisador, ele tem duas funções: uma delas seria detectar o nível da proteína para ajudar o médico a estabelecer o diagnóstico de depressão, e a outra é o monitoramento do nível dessa proteína na saliva, verificando se está aumentando.
"O médico pode acompanhar o aumento do nível da BDNF na saliva pra saber se o paciente tá respondendo ao tratamento", diz Raymundo Pereira. "Normalmente, o que é feito é o método da tentativa e erro na utilização dos medicamentos, e muitas vezes esses medicamentos causam muitos efeitos colaterais." Isso, ele diz, resulta no abandono do tratamento pelo paciente.
Os resultados de testes realizados em humanos foram positivos e publicados na revista científica ACS (American Chemical Society) Polymers Au. Os próximos passos para a validação clínica do teste seriam a produção em uma escala maior dos dispositivos, dos sensores, e a aplicação com voluntários que já estejam com o diagnóstico, para cumprir as exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A fase laboratorial, segundo o pesquisador, já está concluída. Ele afirma ainda que está previsto um estudo comparativo.
De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão atualmente afeta 280 milhões de pessoas em todo o mundo e é uma das principais causas de incapacidade. Anualmente, mais de 700.000 pessoas morrem por suicídio, que se tornou a quarta principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em 2021.

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Teste da picape Nissan Frontier Attack
Versão Attack da Frontier cumpre bem seu papel dentro da família da picape média da Nissan
Investimentos, reforma tributária, aplicação financeira, mercado financeiro
Para ganhar do CDI, esqueça o CDI
Imagem de destaque
A guerra do Pix — e por que, de novo, a razão está do nosso lado

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados