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Em discurso

No G7, Lula faz críticas veladas a Trump ao citar protecionismo e crime organizado

Presidente falou durante reunião ampliada do G7 com convidados, momento que aproveitou para criticar o unilateralismo e o trilionário Elon Musk

Publicado em 16 de Junho de 2026 às 14:48

Estadão Conteúdo

Publicado em 

16 jun 2026 às 14:48

ÉVIAN-LES-BAINS - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mandou recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o discurso feito na Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. Sem citar diretamente Washington, Lula criticou medidas protecionistas adotadas por países ricos e defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania nacional de cada país – uma retórica que tem lhe rendido dividendos eleitorais nas últimas semanas.


As declarações se inserem no contexto das recentes tarifas anunciadas pelo governo do presidente Donald Trump ao Brasil e da classificação do PCC e do CV como grupos terroristas pelo Departamento de Estado norte-americano.


“O neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que hoje assolam as democracias. Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, disse o presidente.


Em 2 de junho, o Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) propôs uma tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas desleais na relação bilateral, e mais 12,5% por não proibir e coibir efetivamente a importação de produtos feitos com regime de trabalho forçado.


"Outros temas, como o combate aos crimes transnacionais, também devem fazer parte da agenda de desenvolvimento. Um deles é o desafio do crime organizado, que aterroriza comunidades e desvia recursos públicos que deveriam ser direcionados para a construção de escolas, hospitais e estradas. Esse esforço deve levar em conta o respeito à soberania dos Estados", afirmou Lula nesta terça-feira (16).

French President Emmanuel Macron and Brazilian President Luiz Inacio Lula da Silva
Lula cumprimenta o presidente da França, Emmanuel Macron, anfitrião do encontro do G7.
Isabel Infantes/Reuters

Lula também citou que não se pode separar o narcotráfico dos crimes como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Em discursos no Brasil, o presidente costuma declarar que grande parte das armas contrabandeadas vem dos Estados Unidos. Ele também critica o fato de o estado americano do Delaware ser cenário de crimes financeiros brasileiros

"O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas. Valorizar o diálogo e a cooperação institucional, inclusive por meio da Interpol, contribuirá para a localização de ativos e indivíduos vinculados a essas atividades criminosas", disse Lula

O presidente também criticou o sistema financeiro internacional, afirmando que países não podem ter que escolher entre "pagar seus credores ou alimentar suas crianças".

Ao defender que a desigualdade entre os países está aumentando, Lula citou que o primeiro trilionário do mundo (sem citar Elon Musk, CEO da SpaceX), tem renda superior à dos 46% mais pobres da população global e criticou o que chamou de "políticas pró-bilionários".

"A distância que separa a prosperidade de Évian da realidade enfrentada por bilhões de pessoas no Sul Global não está diminuindo. Nos últimos anos, a desigualdade entre países ricos e pobres tem aumentado. O primeiro trilionário do mundo é mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial. A extrema concentração de riqueza decorre de décadas de políticas pró-bilionários", disse Lula.

Sem citar atores globais, o presidente também afirmou que as guerras atuais desviam o foco da agenda desenvolvimentista.

O presidente brasileiro também criticou a diminuição de recursos de entidades caras a países em desenvolvimento, como a Ajuda Oficial ao Desenvolvimento, o Programa Mundial de Alimentos, a Organização Mundial da Saúde e a Unicef. "Impactam diretamente o cotidiano dos habitantes de países em desenvolvimento", disse.

Sobre minerais críticos, Lula afirmou no discurso que os países detentores devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia "por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades". Já sobre a transição energética e digital, o presidente avaliou que não se pode haver concentração de benefícios econômicos em poucos atores.

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