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Bioma em chamas

'Não pode ser acidente', diz delegado da PF sobre incêndios no Pantanal

Os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa

Publicado em 15 de Setembro de 2020 às 19:49

Redação de A Gazeta

Publicado em 

15 set 2020 às 19:49
Sebastião Baldi Silva Junior, 40, que trabalha em uma fazenda, tenta apagar um incêndio em uma fazenda no Pantanal, a maior área úmida do mundo, em Pocone, Mato Grosso, Brasil, 26 de agosto de 2020. TPX IMAGENS DO DIA PROCURE ESTA HISTÓRIA
Sebastião Baldi Silva Junior, 40, que trabalha em uma fazenda, tenta apagar um incêndio em uma fazenda no Pantanal Crédito: Amanda Perobelli/REUTERS
Documentos e celulares de fazendeiros do Mato Grosso do Sul foram apreendidos pela Operação Matáá, da Polícia Federal, deflagrada na segunda-feira, 14. O objetivo é investigar as queimadas que estão consumindo o Pantanal, maior bioma úmido do mundo. Os investigadores veem indícios de queimadas deliberadas para criação de área de pasto onde antes era mata nativa.
"As queimadas começaram em fazendas da região, em espaços inóspitos, dentro das fazendas, onde não há nada perto, o que nos faz entender que não pode ser acidente. Teoricamente, alguém foi lá para isso (colocar fogo)", disse ao Estadão o delegado Alan Givigi. "O fogo nesse caso seria para queima da mata nativa para fazer pasto. Já que não pode desmatar, porque é área protegida, coloca fogo e o pasto aumenta, sem levantar suspeita", acrescentou.
A investigação identificou que quase 25 mil hectares dos cerca de 815 mil já devastados pelo fogo este ano. Até o começo noite desta segunda, foram oficialmente cumpridos quatro de dez mandados de busca e apreensão, sendo dois na capital Campo Grande, e outros dois em Corumbá, onde estão concentradas as ações. Os seis mandados restantes são na zona rural de Corumbá, em propriedades onde imagens de satélite identificaram que o fogo teve origem.
Com as apreensões, os investigadores objetivam aprofundar as apurações. Os nomes dos fazendeiros não foram divulgados. Os suspeitos poderão responder pelos crimes de dano à floresta de preservação permanente (Art. 38, da Lei no 9.605/98), dano direto e indireto a Unidades de Conservação (Art. 40, da Lei no 9.605/98), incêndio (Art. 41, da Lei no 9.605/98) e poluição (Art. 54, da Lei no 9.605/98).
Durante as diligências, na casa de área urbana de um dos proprietários rurais, em Corumbá, a Polícia Federal encontrou e apreendeu armas e munições de uso restrito. O fazendeiro foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Foram apreendidas duas pistolas, um revólver, 108 munições de calibre permitido e 44 de calibre restrito.
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