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STF

Lewandowski envia inquérito contra Pazuello para primeira instância

O ministro do STF ressaltou que, como os supostos fatos foram praticados na sede do Ministério da Saúde o caso deve ser remetido pela Justiça Federal do DF

Publicado em 24 de Março de 2021 às 18:56

Agência FolhaPress

Publicado em 

24 mar 2021 às 18:56
Ministro do STF Ricardo Lewandowski
Ministro do STF Ricardo Lewandowski Crédito: Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), enviou para primeira instância o inquérito contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello sobre suposta omissão de Pazuello no colapso em Manaus durante a pandemia do novo coronavírus. A investigação prosseguirá em uma das varas criminais da Justiça Federal de Brasília.
A decisão ocorre porque Pazuello, que é general do Exército, foi exonerado do cargo no primeiro escalão do governo e, com isso, perdeu o foro especial que atrai competência do Supremo para o caso.
O general deixou o cargo em meio a críticas por sua atuação à frente do ministério no combate à pandemia de Covid-19. O país está no pior momento no enfrentamento à doença e já registra mais de 300 mil mortos pelo coronavírus.
Só na terça-feira (23), mais de 3 mil pessoas morreram no país em decorrência doença. Pazuello foi substituído pelo cardiologista Marcelo Queiroga.
O inquérito contra o ex-ministro foi aberto em janeiro por ordem de Lewandowski após a PGR (Procuradoria-Geral da República) apontar a necessidade de apurar se o então chefe da pasta foi omisso em relação ao colapso no sistema de saúde de Manaus.
Um relatório assinado pelo próprio ministro, e revelado pelo jornal Folha de S;Paulo, aponta pelo menos 11 indícios, que podem ser usados como prova, de que ele e a cúpula do Ministério da Saúde tinham conhecimento prévio sobre a grave escassez de oxigênio nos hospitais em Manaus.
Na petição em que pediu a instauração do inquérito, em 23 de janeiro, o procurador-geral da República, Augusto Aras, disse que Pazuello tinha "dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados" e que uma eventual omissão seria passível de responsabilização cível, administrativa ou criminal.
"Mostra-se necessário o aprofundamento das investigações a fim de se obter elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial', disse.
Lewandowski acolheu a solicitação em 25 de janeiro e afirmou que a Constituição prevê a competência do Supremo para "processar e julgar" os ministros de Estado "nas infrações comuns e nos crimes de responsabilidade".
Em fevereiro, o ministro também deferiu pedidos da PGR para aprofundar as investigações.
Lewandowski autorizou a requisição dos e-mails institucionais trocados entre o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Amazonas, além de depoimentos de representantes da empresa White Martins, responsável pelo fornecimento de cilindros de oxigênio para o estado.

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