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Rio de Janeiro

DNA em guimba de cigarro identifica militar como autor de estupro

Capitão Andre Charmarelli é vizinho da vítima e já era considerado principal suspeito

Publicado em 24 de Setembro de 2018 às 15:49

Redação de A Gazeta

Publicado em 

24 set 2018 às 15:49
Nas redes sociais, militar acusado de estupro mostra orgulho pela carreira Crédito: Reprodução / Facebook
Uma guimba de cigarro deixada no canteiro da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi a responsável por identificar um homem acusado de estupro. O capitão da Marinha Andre Charmarelli Teixeira era suspeito de praticar o crime contra uma vizinha. No entanto, em depoimentos à polícia, sempre negou ser o autor do estupro. Guimbas foram então recolhidas pelos agentes e encaminhadas ao Instituto de Pesquisa em Genética da Polícia Civil, que atestou a compatibilidade do DNA entre vestígios encontrados no local e a saliva.
— Ele já vinha sendo considerado suspeito de ser o autor do estupro e chegou a ser ouvido. Mas, na presença do advogado, negava qualquer envolvimento. Só que ele é fumante e deixou guimbas que foram usadas no exame, confrontando com o sangue encontrado no apartamento — explicou a delegada titular da Deam, Rita Salim.
O caso ocorreu em abril, no apartamento da vítima, também em Jacarepaguá. De acordo com a mulher, ela estava dormindo quando acordou com o agressor na sua cama, encapuzado e portando uma arma de fogo, tentando sufocá-la com um pano embebido em uma susbstância entorpecente. Após entrarem em luta corporal, ela mordeu a mão de André e se desvincilhou. Contudo, ele a ameaçou com a arma e voltou a cometer o abuso sexual, largando então a arma ao lado da cama.
— Nesse momento ela conseguiu pegar a arma e deu uma coronhada nele. Os dois foram lutando até o banheiro, onde ela deixou cair o carregador da arma dentro do vaso sanitário. Foi então que ele tomou a arma e foi embora — conta a delegada.
Bastante assustada, a vítima se trancou no quarto e pediu ajuda a vizinhos em um grupo do Whatsapp. O militar foi o primeiro a oferecer ajuda, perguntando se podia entrar no imóvel pela varanda, já que a porta principal também estava trancada. Ao chegar no imóvel, a mulher reconheceu a voz do vizinho de porta como sendo a mesma do agressor. Ao saber que o carregador estava dentro da privada, ele pegou e guardou na cintura. Com a chegada dos PMs, ele negou que teria pegado o objeto.
— Juntando esses dois pontos, a identificação da voz e o fato dele ter mentido para os policiais militares, ela teve a certeza de que era o autor do estupro — comenta.
Os policiais então encontraram o carregador molhado dentro do cofre do acusado e levaram todos para a delegacia. No entanto, André sempre negou o crime e recusou a fornecer material genético para confrontar com o sangue encontrado no imóvel. Só com o resultado do exame de DNA, feito a partir da comparação entre a saliva e o sangue deixado no local é que foi possível pedir a prisão preventiva do acusado.
André está detido no presídio militar há cerca de um mês e só voltará a falar em juízo. A Marinha do Brasil até o momento não se posicionou sobre o caso.
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