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Bolsonaro visitará Vladimir Putin e líder ultraconservador da Hungria

Presidente do Brasil vai se reunir com líderes polêmicos durante visita à Europa marcada para fevereiro

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 19/01/2022 às 18h50

O presidente Jair Bolsonaro (PL) se reunirá em fevereiro com o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, líder ultraconservador, em Budapeste. O encontro tem como objetivo "estreitar os laços de cooperação, amizade e relações bilaterais" entre o Brasil e a Hungria além de "reforçar os ideais de defesa das nações e dos valores cristãos", defendidos por ambos políticos.

Segundo o jornal Azonnali, mantido pelo governo húngaro, a reunião entre os líderes ocorrerá após a visita de Bolsonaro ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Além da proximidade de ideais, Bolsonaro e Orbán encaram eleições este ano. Em abril, a Hungria terá seus pleitos parlamentares, quando o atual primeiro-ministro terá a chance de obter seu quarto mandato consecutivo. Orbán ocupa a cadeira desde 2010, mas também já exerceu o cargo entre 1998 e 2002. No Brasil, Bolsonaro disputa a reeleição pelo PL.

O presidente Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro. Crédito: Alan Santos/PR

A proximidade com Viktor Orbán vem de longa data. O primeiro-ministro húngaro esteve presente na cerimônia de posse de Bolsonaro em 2019. Posteriormente, no mesmo ano, Orbán esteve na lista de nações e embaixadores estrangeiros que receberam visitas do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Na mesma viagem, o filho "zero três" do presidente também encontrou outro líder da extrema direita: o vice-premier da Itália, Matteo Salvini.

Para Eduardo, a forma como Orbán vem atuando contra a oposição e a imprensa local deveria ser uma "referência" para o Brasil. No poder, com a aprovação de deputados, o primeiro-ministro conseguiu novos diretores de TVs e rádios públicas, tirando a autonomia das emissoras. Além disso, também tentou controlar redes privadas ao limitar o acesso de jornalistas ao Parlamento.

A Hungria despencou no segundo o ranking mundial de liberdade de imprensa organizado pela ONG Repórteres Sem Fronteiras: foi do 23º lugar em 2010, quando Orbán assumiu o poder, para o 89º entre 180 países, em 2020.

Questionada pelo Estadão, a Secretaria-Geral da Presidência da República não se pronunciou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.

A primeira viagem internacional do presidente em 2022 já tem destino e data marcada: Paramaribo, capital do Suriname, nos dias 20 e 21 de janeiro.

Em fevereiro, Bolsonaro tem uma viagem programada para a Rússia a convite do presidente russo, Vladimir Putin. Em live, o presidente declarou que encara a viagem como uma oportunidade para a economia brasileira, devido a dimensão do mercado russo.

AUSÊNCIA EM POSSES PRESIDENCIAIS

Bolsonaro tem costume de não prestigiar a posse de eleitos ligados à esquerda na América Latina e já faltou a pelo menos três eventos semelhantes. Ele também anunciou que não vai acompanhar a cerimônia de posse do presidente do Chile, Gabriel Boric, em março.

Em 2019, primeiro ano de seu mandato, Bolsonaro rompeu com uma tradição de 17 anos ao não comparecer à posse de Alberto Fernández na Argentina. O último presidente brasileiro a não prestigiar uma posse no país foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando o argentino Eduardo Duhalde foi nomeado pelo Congresso Nacional após renúncia de Adolfo Rodríguez Saá.

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Fernández, que é um político de esquerda, havia derrotado o candidato preferido de Bolsonaro, Maurício Macri, que concorria à reeleição. Na época, o Brasil foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) no evento.

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