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Bolsonaro convoca reunião com ministros para discutir reação ao STF

Encontro vai discutir uma reação às medidas do STF após a operação da Polícia Federal que teve como alvos blogueiros e empresários apoiadores do presidente

Publicado em 27/05/2020 às 19h28
Atualizado em 28/05/2020 às 08h41
O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante a solenidade de posse dos dos ministros da Justiça e Segurança Pública; da Advocacia-Geral da União no Palácio do Planalto
O presidente da República Jair Bolsonaro convocou uma reunião extraordinária de ministros no Palácio do Planalto. Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocou ministros na tarde desta quarta-feira (27) para discutir uma reação ao Supremo Tribunal Federal (STF), após operação da Polícia Federal determinada pela Corte ter mirado políticos, blogueiros e empresários ligados ao mandatário. Ministros e assessores criticaram a operação ao longo do dia. Segundo assessores presidenciais, Bolsonaro deve propor uma resposta mais contundente ao Supremo, onde tramita o inquérito das fake news.

Uma das opções em pauta é sugerir que o ministro Abraham Weintraub (Educação) não preste depoimento à Corte, após ter sido intimado pelo ministro Alexandre de Moraes nesse mesmo inquérito que resultou em operação de busca e apreensão contra bolsonaristas.

De acordo com integrantes da ala ideológica do governo, o presidente também deve sugerir que Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), não acate nenhum pedido do Supremo em um outro inquérito, esse relatado por Celso de Mello.

Numa terceira frente, mais agressiva, aliados de Bolsonaro ainda defendem que ele nomeie Alexandre Ramagem na Polícia Federal, em um enfrentamento à decisão anterior de Moraes, e passe a brigar com o Supremo judicialmente, mesmo que recorra a cortes internacionais.

A ideia seria propor uma nota descrevendo a reação planejada, se houver a concordância de todos os ministros. Caso Bolsonaro siga essa linha, aprofundará ainda mais a crise do governo com o Judiciário.

REAÇÃO

Segundo assessores do presidente, Bolsonaro avaliou nesta quarta-feira que a operação deflagrada teve como objetivo atingi-lo. O presidente discutiu o assunto com ministros, inclusive com o titular da Defesa, Fernando Azevedo.

A aliados que o visitaram, o presidente avaliou que o ministro Alexandre de Moraes quer disputar poder com ele. Auxiliares do mandatário disseram que o presidente tratou a situação como uma guerra.

Segundo pessoas próximas, Bolsonaro hoje teria mais condições de tomar uma medida forte porque tem o apoio de ministros militares. Aliados do presidente avaliam que as últimas ações do Supremo uniram o núcleo fardado em defesa do governo.

Mais cedo, integrantes do Palácio do Planalto disseram que cresceu a disposição do presidente de questionar ministros da corte com base na lei de abuso de autoridade.

Segundo auxiliares de Bolsonaro, o governo avalia entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) contra a investigação que mira parlamentares no Supremo, conforme publicou o jornal Folha de S.Paulo, e também questionar Alexandre de Moraes e Celso de Mello, ambos da corte, por excessos que teriam cometido em ações recentes.

Em outra frente, aliados de Bolsonaro do núcleo mais ideológico avaliam reforçar o movimento nas redes pedindo o impeachment dos magistrados, embora tenham pouca chance de avançar no Congresso.

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