Publicado em 8 de julho de 2021 às 19:10
Candidato derrotado na eleição presidencial de 2014, o deputado Aécio Neves (PSDB) rejeitou as suspeitas levantadas pelo presidente Jair Bolsonaro e afirmou que não houve fraude naquela disputa. >
"Eu não acredito que tenha havido fraudes nas urnas em 2014, tampouco acredito que nós estejamos fadados a viver eternamente com as urnas eletrônicas de primeira geração", declarou o tucano. >
Na quarta-feira (7), Bolsonaro disse ter um levantamento "feito por gente que entende do assunto" que apontaria a vitória do candidato do PSDB naquela eleição. "O Aécio foi eleito em 2014", declarou, sem apresentar provas, em entrevista à Rádio Guaíba. >
Naquele ano, Dilma Rousseff (PT) foi reeleita com 52% dos votos, ante 48% de Aécio, com vantagem de cerca de 3,5 milhões de votos. >
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Aécio afirmou em nota que defende mudanças nas urnas eletrônicas apenas "em benefício da credibilidade, da confiabilidade do nosso sistema". >
O deputado tucano divulgou o texto depois que o jornal Folha de S.Paulo publicou uma declaração em que o ex-senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), vice em sua chapa de 2014, descartava a possibilidade de fraude na disputa. >
"A eleição foi limpa, nós perdemos porque faltou voto", afirmou Aloysio. >
Antes disso, Aécio havia dito que não comentaria a fala de Bolsonaro. >
Outros tucanos que participaram daquela eleição descartam suspeitas de fraude. Eles atribuem a derrota a um desempenho abaixo do esperado em estados como Minas Gerais, reduto eleitoral de Aécio. >
O próprio candidato do PSDB reconheceu a derrota no dia em que foi realizado o segundo turno. Ele telefonou para Dilma e cumprimentou a presidente reeleita pela vitória. Embora os tucanos tenham pedido uma auditoria nas urnas eletrônicas após a eleição, eles não questionam o resultado da votação. >
Derrotado pela chapa encabeçada por Dilma, Aloysio rejeitou a tentativa de Bolsonaro de usar a eleição de 2014 como indício de irregularidades no sistema de votação. "É evidente que ele não tem prova nenhuma, porque não houve fraude", diz. >
Aécio afirmou à Folha de S.Paulo que a discussão sobre a urna eletrônica e a possível adoção do voto impresso, defendida pelo presidente, ficou "contaminada pelo radicalismo dos discursos". >
O tucano integra a comissão especial na Câmara que discute a proposta para implementar a impressão do voto na urna eletrônica. >
O tucano defende a criação de "algum nível de auditagem" nesse sistema, mas diz que essa discussão deve ficar para depois das próximas eleições. >
"Eu não acredito que devamos ficar presos eternamente às urnas de primeira geração. Mas é melhor deixarmos para voltar a esse debate depois de 2022." >
Após a eleição de 2014, o PSDB pediu uma auditoria nas urnas eletrônicas. Segundo Aloysio, "não houve alegação de fraude" naquela ocasião. >
"Havia uma grande polêmica sobre a segurança da urna, geralmente alimentada por segmentos da direita. Mas o que a direção do partido decidiu foi pedir uma auditoria, não uma recontagem de votos. A vitória da Dilma foi reconhecida publicamente pelo Aécio", afirma o candidato a vice em 2014. >
Ao fim daquele processo, o PSDB declarou que as urnas eletrônicas eram "inauditáveis", uma vez que não foi possível ter acesso a todos os níveis de criptografia das máquinas. >
"A conclusão foi que não se pode dizer que houve ou não houve fraude", afirmou o advogado Flávio Pereira, um dos representantes do PSDB naquela auditoria. >
Ele diz que "um contingente expressivo da sociedade" demonstrava dúvidas sobre o sistema de votação e que "era preciso dar uma resposta para legitimar o processo eleitoral". Esse, segundo ele, foi o objetivo da auditoria. >
"O maior propósito era trazer uma legitimidade para o processo. O passado estava resolvido, mas nós precisávamos legitimar para o futuro. E houve um aperfeiçoamento do sistema", declara. >
Bolsonaro levantou suspeitas de fraude eleitoral diversas vezes, incluindo a disputa que ele venceu, em 2018. Ele já declarou que se recusará a passar a faixa presidencial para um adversário que vença as eleições caso ele considere que há irregularidades no processo. >
O presidente, no entanto, nunca apresentou indícios que reforcem suas suspeitas. >
No final de junho, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Luís Felipe Salomão, deu 15 dias para que Bolsonaro apresente as provas que diz ter sobre uma suposta fraude no sistema eletrônico de votação. >
O magistrado, que integra o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), editou uma portaria para estabelecer que todas as autoridades que relatem inconformidades no processo eleitoral ficam obrigadas a apresentar elementos nesse período. >
Diferentemente do que Bolsonaro tem difundido, o coordenador jurídico nacional de sua campanha presidencial em 2018, Tiago Ayres, defendeu em entrevista à Folha de S.Paulo a confiabilidade e a segurança das urnas eletrônicas. >
O advogado eleitoral também é favorável à implantação de um sistema de impressão do comprovante do voto dado na urna eletrônica, mas com um argumento bem distinto do que prega Bolsonaro. >
"Todas as eleições realizadas até hoje tiveram resultados fiéis à vontade popular", disse Ayres, para quem o mecanismo de impressão do comprovante servirá tão somente como reforço à segurança "do já louvável" sistema. >
"PERDER NA FRAUDE">
Em live, em setembro de 2018, quando se recuperava de facada. "A grande preocupação realmente não é perder no voto [a eleição presidencial], é perder na fraude. Então, essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta.">
"NÃO POR VOTO">
Em live, em outubro de 2018, antes do segundo turno das eleições. "Isso só pode acontecer por fraude, não por voto, estou convencido.">
"VOTO IMPRESSO É SINAL DE CLAREZA">
Em novembro de 2019, após Evo Morales renunciar à Presidência da Bolívia. "Denúncias de fraudes nas eleições culminaram na renúncia do Presidente Evo Morales. A lição que fica para nós é a necessidade, em nome da democracia e transparência, contagem de votos que possam ser auditados. O VOTO IMPRESSO é sinal de clareza para o Brasil!", escreveu nas redes sociais.>
"A DIFERENÇA FOI MUITO MAIOR">
Em live, em novembro de 2019, comentando a renuncia de Morales. "Todo mundo dizia que eu tinha tudo para ganhar as eleições na reta final. Eu tinha certeza disso e teve no final 55% para mim e 45% para o outro candidato. Muita gente achou que a diferença foi muito maior. Como um lado ganhou, e nas ruas todo mundo tinha essa convicção de que eu ia ganhar, não houve problema. Mas imagina se o outro lado ganha as eleições, como é que a gente ia auditar esses votos? Não tinha como auditar.">
SUPOSTAS PROVAS>
Durante evento em Miami, em março de 2020. "Pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente [até hoje o presidente não apresentou o material], eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude. E nós temos não apenas palavra, temos comprovado, brevemente quero mostrar, porque precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos. Caso contrário, passível de manipulação e de fraudes (...).">
"VÃO QUERER QUE EU PROVE">
Em novembro de 2020, após votar no pleito municipal. "A minha eleição em 2018 só entendo que fui eleito porque tive muito, mas muito voto. Tinha reclamações que o cara queria votar no 17 e não conseguia. Vão querer que eu prove. É sempre assim. O cara botava um pingo de cola na tecla 7, um tipo de adulteração.">
"TEVE MUITA FRAUDE LÁ">
Em novembro de 2020, comenta as eleições americanas após votar no pleito municipal. "Tenho minhas fontes [que dizem] que realmente teve muita fraude lá. Isso ninguém discute. Se foi suficiente para definir um ou outro, eu não sei.">
"É NO PAPELZINHO">
Em conversa com apoiadores, em dezembro de 2020, dá informação falsa sobre as eleições para Presidência da Câmara dos Deputados, que adota sistema eletrônico desde 2007. "O que é comum na Câmara, não sei como está agora. As eleições na Mesa [Diretora], para presidente, é no papelzinho. Não sei como vai ser esta agora.">
"PIOR QUE OS EUA">
Nesta quinta (7), ao comentar invasão do Congresso americano. "Se nós não tivermos o voto impresso em 22, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter problema pior que os Estados Unidos. Lá [EUA], o pessoal votou e potencializaram o voto pelos correios por causa da tal da pandemia e houve gente lá que votou três, quatro vezes, mortos que votaram. Foi uma festa lá. Ninguém pode negar isso daí.">
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