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Judicialização da tragédia

Acionistas brasileiros também querem ir à Justiça contra Vale

Investidores minoritários querem acionar mineradora por negligência; especialistas diz, no entanto, que brasileiros dificilmente terão a mesma sorte

Publicado em 29 de Janeiro de 2019 às 20:05

Publicado em 

29 jan 2019 às 20:05
Sobrevoo da área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho Crédito: Isac Nóbrega/PR

A exemplo dos americanos, que anunciaram que irão ingressar na Justiça dos Estados Unidos com ações coletivas contra a Vale, acionistas minoritários brasileiros também manifestaram interesse em tomar o mesmo caminho, na Justiça local.

Apesar disso, na avaliação do vice-presidente da Associação dos Investidores Minoritários (Aidmin), Aurélio Valporto, os brasileiros dificilmente terão a mesma sorte dos estrangeiros.

"Os Estados Unidos têm um arcabouço mais amplo para proteger os investidores. Aqui (no Brasil) o mercado de capitais é visto como um cassino, mas estamos sendo provocados pelos nossos associados a tomar um atitude", disse Valporto ao Estadão/Broadcast.

Nesta terça-feira (29), a Rosen Law, uma empresa que representa investidores nos EUA, entrou com ação coletiva contra a Vale, seguindo os passos de investidores da Petrobrás, que por causa das perdas de valor ocasionadas pela corrupção na estatal conseguiram um acordo de US$ 3 bilhões em novembro do ano passado, um dos maiores acordos da história dos Estados Unidos.

Valporto concorda com o teor da ação norte-americana e também responsabiliza a direção da companhia por negligência. "Não podemos entrar com uma ação temerária, mas os culpados têm que ser responsabilizados. É evidente que apoiamos a troca da diretoria, é evidente que eles foram negligentes", disse.

Com pouca esperança de haver um ressarcimento econômico nos patamares norte-americanos, Valporto conta também com a convocação de uma assembleia extraordinária para responsabilizar os culpados pela tragédia que interrompeu a operação da Mina do Córrego do Feijão e pode ter um saldo de mais de 300 mortos. "Com 5% um sócio já pode convocar uma assembleia, vamos tentar reunir esse percentual", afirmou.

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