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Política

Bolsonaro: por que líder nas pesquisas não consegue articular vice?

Nenhum candidato em eleições modernas pode se dar ao luxo de estabelecer diálogo e angariar votos somente dos seus simpatizantes

Publicado em 23 de Julho de 2018 às 17:34

Públicado em 

23 jul 2018 às 17:34

Colunista

Jair Messias Bolsonaro
Ueber José de Oliveira*
Apesar de liderar as pesquisas quando não se inclui o ex-presidente Lula, Jair Bolsonaro não possui uma situação muito confortável e isso se revela nas dificuldades que enfrenta tanto na construção do arco de alianças necessário a um pleito complexo como o presidencial, quanto na dificuldade para indicar um nome para compor a chapa na condição de candidato a vice-presidente. As dificuldades são decorrentes de fatores diversos.
Em primeiro lugar, há de se considerar o radicalismo, e até sectarismo, do candidato em relação a diversas pautas. Nenhum candidato em eleições modernas pode se dar ao luxo de estabelecer diálogo e angariar votos somente dos seus simpatizantes.
Os partidos e as lideranças partidárias, na condição de expressão pública das instituições, para alcançar êxito nas urnas, devem seguir o modelo catch-all, denominação dada por Otto Kirchheimer, para designar o comportamento dos atores políticos que buscam conquistar o maior número possível de votos, atraindo eleitores situados nas mais diversas posições ideológicas, mediante um discurso genérico. Embora tenha feito importantes inflexões, Bolsonaro segue com muitas dificuldades para abrandar seu discurso, o que afasta pretensos apoiadores.
Por outro lado, candidaturas presidenciais sem base partidária nos Estados tendem a ter muitas dificuldades de decolar. Em outras palavras, para alcançar a República, é preciso combinar com as partes que constituem o país. Todavia, o comportamento agressivo de Bolsonaro quanto a determinados temas dificulta a formação de alianças mais amplas. E, sem o apoio das lideranças regionais, em especial dos governadores, os barões da federação, os quais possuem a tutela de lideranças satélites e, consequentemente, dos votos, a coisa fica bem mais complicada.
Ademais, há uma percepção generalizada por parte das lideranças dos partidos que poderiam compor com a chapa de Bolsonaro a ideia de que se trata de um candidato de alto risco. Isso porque a prioridade dos partidos passou a ser as eleições para o Legislativo, já que os partidos, com menos dinheiro ante a proibição de doação de empresas, precisam sobreviver à cláusula de barreira. Há a compreensão genérica de que Bolsonaro tende a se desidratar eleitoralmente e corre o risco de nem chegar ao segundo turno. Ainda assim, se chegar, possui chances ínfimas de se eleger, dado seu perfil de isolamento programático e sua dificuldade em firmar alianças.
Além disso, o estilo estabanado do candidato do PSL, bem como o seu nítido despreparo no trato de temas relativamente simples, pode ter um efeito tóxico para as candidaturas clássicas de certos partidos. E os caciques partidários temem tal situação.
*O autor é doutor em Ciência Política e professor do Departamento de História da Ufes
 

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