Segurança é a percepção de estar protegido de riscos, perigos ou perdas. Enquanto bem comum, segurança é disseminada e assegurada por meio de convenções sociais ou medidas de segurança. Medidas com escopos distintos, já que abrangem territórios – mundial, nacional e local -, e de outras naturezas, como comunitária, doméstica, alimentar, na escola, no trabalho etc.
Em tempos de individualismo exacerbado, a busca da segurança pessoal e de pequenos grupos deixa de reconhecer a importância do bem-estar coletivo. Desconsiderar o coletivo acaba por contaminar as relações sociais e leva à valorização da violência. Violência nem sempre entendida como consequência da segregação e do distanciamento que tanto configuram as relações sociais.
Na medida em que a segregação e o distanciamento atingem principalmente maiorias sem reconhecimento – mulheres e negros - e minorais desconsideradas - comunidade LGBT, crianças e idosos –, são eles os mais atingidos pela violência. Pensar sobre a questão de segurança sem reconhecer os principais grupos atingidos pela violência resulta em uma prática que leva a sociedade ao circulo vicioso da exclusão.
Conceber medidas de segurança – de emprego, renda, acesso à educação, saúde, cultura e lazer – para mulheres, negros, comunidade LGBT, crianças e idosos é o primeiro passo para que o círculo vicioso da violência seja quebrado. Ao se garantir a efetiva segurança desses grupos, a principal consequência será o bem-estar coletivo.
Bem-estar coletivo cada vez mais distante de discursos e práticas políticas contaminadas pela ideia de que o mercado deve ser o único articulador de relações sociais. Existem evidências – em escala global, nacional e local - nas relações entre os segmentos especulativo e produtivo; e evidências entre capital e trabalho - do quanto o mercado privilegia poucos e desconsidera a maioria.
Pior, segundo a ideologia das virtudes do livre funcionamento do mercado, os que mais perdem com seus mecanismos de concentração são considerados culpados por responderem de forma inadequada a seus desafios. Daí a necessidade de políticas públicas explícitas de atendimento aos mais marginalizados pelas regras do mercado – mulheres, negros, crianças, idosos e comunidade LGBT.
Tratar os marginalizados social e economicamente como principais beneficiários de políticas de segurança é mais do que um imperativo ético. É sinal de lucidez para com a segurança coletiva, inclusive dos mais beneficiados pela economia.