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Carnaval

Baticuns do coração

O rei está no trono pronto para desprezar as agruras destes tempos de sombras e cumprir o reinado quebrando regras, suspendendo portarias e batendo o martelo

Publicado em 18 de Janeiro de 2018 às 17:41

Públicado em 

18 jan 2018 às 17:41
Jace Theodoro

Colunista

Jace Theodoro

Eu resisti, fui atrás de outros mares, palavras aguadas, vestidas de sargaço e com línguas apuradas no sal das águas mais profundas. Tentei mudar de ares e empurrar o rumo da prosa na direção do improviso jazzístico, escrever partituras bossa-novistas, soltar o meu mais operístico dó de peito (chamei Natércia Lopes, a diva, pra me socorrer e ela nem tchuns). Desisti das canções do amor demais. Não tem solução, Caymmi: o baticum do meu coração pede o clamor das arquibancadas.
E, como o nobre leitor já está acostumado, nesta época do ano o som dos tamborins me chama e lá vem a crônica do samba rasgado. É carnaval! O rei está sentado no trono pronto para desprezar as agruras destes tempos de sombras e cumprir seu reinado quebrando regras, suspendendo portarias e batendo o martelo: está aberta a temporada do assanhamento. Tirem as camisas, encurtem as saias, abusem no decote.
O corpo pede liberdade e que venham os voos desnudos, embora a mão extemporânea dos donos da casa grande legislativa esteja ávida pra retirar nosso direito sob o escudo da sua atravessada moral. Esqueçamos essa xepa da folia e nos detenhamos no balacobaco da festa da carne. Não querem seios, não querem bundas? Vendas pros olhos estarão disponíveis na entrada da concentração, fiquem à vontade – mas não muito, queridos, porque a plateia da avenida foliã está de olho nos bons costumes de vosmicês. Rá!
O samba chama, o enredo convoca, a rainha da bateria dá a mão e nos conduz na travessia. Britadeira nos quadris, asas nos pés, lá vem passistas hipnotizando com seu rebolado e um jogo de cuícas e cavacos disputando quem chora melhor de alegria. O mestre apruma o corpo e dá ordens ao batalhão de súditos com as mãos em riste. Começa a grande evolução transformando o cimento branco em chão de estrelas.
Por ora, o cronista não pensa em outra coisa se não o bumbumpraticumbum e quando imagino navegar em outros mares eis que as ondas me embalam no brugurumdum. Não há outro assunto possível. Onde quer que eu ande, os batuques do senhor Momo me arrastam pro destino de sambista
na avenida: sinaaal veeerde!!
*O autor é cronista e jornalista
 

Jace Theodoro

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