Ao confrontar o Ministério Público do Espírito Santo, o secretário de Segurança Pública do Estado mostra que os órgãos públicos não estão falando a mesma língua. A existência de organizações criminosas no Complexo da Penha e a possível atuação de presidiários no comando do tráfico na região são assuntos sérios demais para permitir discursos divergentes ou qualquer mal-entendido.
Infelizmente, é isso que parece estar acontecendo. Em entrevista ao “Bom Dia Espírito Santo”, da TV Gazeta, nesta quarta-feira (5), o coronel Nylton Rodrigues negou que detentos liderem o comércio de drogas de dentro de presídios. Não só isso. Pediu que essa informação seja repassada ao governo. “Se o MP-ES sabe, que encaminhe o nome para a Secretaria Estadual de Segurança (Sesp) e para a Secretaria Estadual de Justiça (Sejus), para que se tome providências de isolamento e de transferência”, disse o secretário.
Acontece que, um dia antes, ao detalhar a Operação Concerto, o MP-ES afirmou que só foi possível esclarecer o funcionamento da organização criminosa no Complexo da Penha
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Não é hora de bater cabeça. A situação pede união em torno de um objetivo comum, de extrema importância para a população, que é o combate ao tráfico e à violência urbana. Governo e Ministério Público estão do mesmo lado nessa batalha. Abrir espaço para desencontros é dispersar energia valiosa.