Uma solução caseira, “à sua imagem e semelhança”, pode sair da cartola de Audifax Barcelos (Rede) para a eleição a prefeito da Serra em 2020: sem um “sucessor natural” nem um nome consolidado para representá-lo nessa disputa, Audifax está flertando com a ideia de lançar o seu coordenador de Governo, Jolhiomar Massariol Nascimento, como candidato à sucessão pela Rede no ano que vem.
Como coordenador de Governo, Jolhiomar tem status de supersecretário na atual gestão de Audifax. Não é exagero dizer que, há algum tempo, é ele o braço direito do prefeito na administração municipal.
Se Audifax lhe transmitir essa missão, Jolhiomar se diz disposto a avaliar candidatura e à disposição para contribuir. “Aí é mais na frente, a gente ajuda ele no debate. Se ele me procurar, estou à disposição. Sou nascido e criado na Serra, participei de várias gestões na Serra. Posso contribuir.”
A coluna apurou que, hoje, a ideia de lançar Jolhiomar tem não só a simpatia como o entusiasmo de Audifax, que reconhece a si mesmo no pupilo – como se fosse ele o seu reflexo rejuvenescido. Com perfil absolutamente técnico, extrema lealdade ao prefeito e um longo histórico de colaboração estreita com o redista, Jolhiomar poderia ser o “novo Audifax”, ou melhor, o “Audifax do Audifax”. Explico.
Quinze anos depois, o secretário poderia ser, para o atual prefeito, o que foi o próprio Audifax para Sérgio Vidigal (PDT) em 2004: um nome técnico, jamais testado nas urnas, integrante da equipe de governo, com a marca da atual gestão, além de perfeita identidade política com o chefe do Executivo no momento.
Naquela eleição de 2004, a situação de Vidigal era muito parecida com a vivida, hoje, por Audifax. Encerrando o segundo mandato consecutivo, o pedetista não podia se candidatar novamente. Apostou, então, em um rosto então pouco conhecido pelo eleitorado serrano, mas muito importante dentro da administração e com longa folha de serviços prestados à gestão em áreas técnicas.
Audifax havia sido secretário de Administração (1997-2000), de Finanças (2001-2002) e da Educação (2002-2004) de Vidigal. Era muito reconhecido internamente, mas não fora da prefeitura. Com prestígio acumulado, Vidigal conseguiu fazer a mágica de eleger aquele técnico com óculos fundo de garrafa.
Quinze anos depois, removidos os óculos de lentes grossas, o personagem que aparece lembra aquele improvável candidato em que Vidigal apostou lá atrás. Assim como o atual prefeito, Jolhiomar é economista e servidor municipal de carreira. Com um plus: Audifax é servidor da Prefeitura de Vitória, enquanto Jolhiomar é da própria Prefeitura da Serra.
Assim como o atual prefeito, o secretário é nascido e criado na Serra. Assim como Audifax em 2004, Jolhiomar acumula, hoje, com a eleição que vem batendo à porta, uma longa folha de serviços administrativos prestados à Serra e aos serranos.
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CURRÍCULO E SEMELHANÇAS
Com pós-graduação na área de Gestão, Jolhiomar esteve com Audifax, à frente de secretarias técnicas, em todos os seus três mandatos. No primeiro (2005-2008), foi secretário de Planejamento, de 2005 a 2006, e de Serviços, de 2007 a 2008. Naquele ano, Vidigal retornou para a Prefeitura da Serra. Sem legenda no PDT, Audifax não pôde concorrer à reeleição.
No início de 2009, o então governador Paulo Hartung (então no PMDB) convidou Audifax para ser secretário estadual de Planejamento. Jolhiomar continuou ao seu lado, como subsecretário na mesma pasta.
Em 2012, derrotando Vidigal nas urnas, Audifax regressou à Prefeitura da Serra para seu segundo mandato (2013-2016). Lá estava seu fiel escudeiro. De 2013 a 2014, Jolhiomar foi secretário municipal de Serviços. Desde 2015, é o coordenador de Governo. Em 2016, repetindo 2012, Audifax derrotou Vidigal e chegou a seu terceiro mandato. Jolhiomar segue firme, sentado à sua direita, como uma espécie de coordenador-geral e número dois na hierarquia da gestão.
“Temos uma relação de trabalho já longa e muito forte. Nunca fui secretário por indicação política, mas só por motivos técnicos. Nunca fui candidato a nada e nunca tive proposta para ser candidato a nada. Sempre ajudei nas políticas públicas”, conta o próprio Jolhiomar, chamado pelos mais próximos, inclusive por Audifax, de “Julhinho”.
Seria, assim, um outsider da política – num momento em que a onda pró-renovação ainda parece muito forte – e, ao mesmo tempo, um insider na atual administração, que poderá, como ninguém, ser literalmente “apresentado” por Audifax aos serranos como o candidato do prefeito e da atual administração, para defender a sua gestão e o seu legado.
Colaboradores de Audifax relatam que Jolhiomar ainda portaria uma vantagem em relação àquele Audifax cru de 2004: é politicamente menos duro, melhor no trato com as pessoas, relaciona-se bem com todos. “Até adversários têm coisas boas a dizer sobre ele”, conta um audifista.
O QUE DIZ O PRÓPRIO JOLHIOMAR?
Jolhiomar, é bom que se diga, não era o plano A (nem o B) de Audifax. Ele primeiro pensou em lançar o seu então secretário de Defesa Pública, coronel Nylton Rodridgues (hoje no Novo), mas ambos romperam em maio. Também sonhou em convencer o delegado Rodrigo Sandi Mori a se filiar à Rede para ser o seu candidato, mas o delegado não tem o menor interesse na proposta.
Agora, com currículo tão semelhante ao do prefeito antes de ser convencido por Vidigal a disputar sua primeira eleição, Jolhiomar pode ser a carta na manga de Audifax. A este, agora, resta lograr com Jolhiomar o que Vidigal logrou com ele mesmo em 2004: convencer sua “cria” a transpor a barreira do território exclusivamente técnico e atravessar para o lado da política (que é para poucos, convenhamos).
O próprio Jolhiomar não exclui de pronto a “possível possibilidade” de assumir esse papel de candidato, mas esclarece que, por ora, isso não está no seu radar, até porque, afirma, não foi sondado.
"O meu foco é na gestão. A eleição está longe ainda. Estou preocupado em ajudar Audifax a realizar as grandes entregas previstas para o fim do seu governo, como a UPA de Castelândia e as intervenções de que os bairros precisam. Até o momento, ainda não conversei sobre essa ‘possível possibilidade’"
Filiado à Rede desde o ingresso de Audifax no partido, em 2015, Jolhiomar afirma que vai esperar conversas formais. “Não houve conversa ainda no nível partidário, nem sondagem informal. Em conversas com os secretários, sempre brincam, falam, às vezes colocam alguns nomes. Estou trabalhando na minha função. Mais na frente, se nós formos discutir essa situação, se o prefeito conversar comigo, posso confirmar.”
E se for para atender a um “chamado do partido”?
"Se for para atender a algum chamado do partido, lá na frente, se houver, a gente pode avaliar"