Aeroporto de Vitória pronto, tudo certo? Errado. A mudança no tráfego na Adalberto Simão Nader, obra fundamental para o pleno funcionamento das novas instalações, só foi liberada no último domingo, e pelas metades. Apesar do trânsito liberado, a conclusão está marcada para outubro, ou seja, seis meses após a inauguração do terminal. Chega a parecer uma reclamação sem fundamento, visto ter sido um atraso dos menos dramáticos. Não é. Reflete, mais uma vez, a desorganização que envolve os projetos públicos. Importante lembrar que a obra do aeroporto levou 16 anos para ficar pronta.
É surpreendente que a administração municipal não tenha se planejado melhor para a data, tão divulgada nos meses que antecederam a entrega do empreendimento. Com a aproximação da inauguração, a expectativa para a entrega da obra era tamanha que deveria estar acompanhada de um cronograma que garantisse a sincronia: aeroporto inaugurado, obras de acesso prontas.
O que se viu, contudo, foram prazos alterados o tempo todo (sete vezes!), enquanto a avenida permanecia parcialmente interditada. O trabalho básico para essa liberação nem exigia tanto:
a alteração no sentido da avenida demandava nova sinalização horizontal e instalação de semáforos. Procedimentos simples, mas que ganharam uma dimensão muito maior, incompreensível. Parecia até um empreendimento complexo, quando não era.
Há também questões graves acerca do transporte público. São poucas as linhas, tanto do Transcol (de competência estadual), quanto dos ônibus municipais, que dão acesso ao novo terminal de passageiros. Há quem precise caminhar mais de 10 minutos para chegar ao novo Eurico Salles. Sempre lembrando: foram mais de 16 anos de obra...
Exigir mais planejamento do poder público não é exagero. Deve ser obrigação, um compromisso indissociável da função que exerce na sociedade. O caso dos acessos ao Aeroporto de Vitória é mais um exemplo de como problemas simples podem se complicar com a ineficiência que, como vemos, não está restrita a Brasília.