"Estou trancado na sala de aula. Estou com medo!"
Esse é o apelo lançado pelas redes sociais por um aluno de uma escola da Flórida, nos Estados Unidos, invadida na quarta-feira (14) por um jovem de 18 anos que, fortemente armado, matou, pelo menos, 17 pessoas. O ataque é o 18º registrado nos EUA neste ano em escolas ou imediações de centros de ensino.
A milhares de quilômetros de distância, em países do Oriente Médio como a Síria, são comuns as notícias que dão conta de bombardeios contra escolas causando a morte de dezenas de alunos. O mesmo acontece em outros conflitos que estão acontecendo pelo mundo afora.
Enfim, bem perto de nós, na cidade do Rio de Janeiro, tornou-se dramaticamente comum ver alunos impedidos de irem à escola por tiroteios ou obrigados a deitar no chão na sala de aula enquanto traficantes trocam tiros entre eles ou com a polícia.
Dessa forma, a escola - espaço de socialização, oportunidade de convivência pacífica entre as diferenças, laboratório da construção coletiva do conhecimento e incentivadora do exercício do protagonismo infanto-juvenil - está sendo invadida pela violência. Entre os muitos medos dos nossos dias está se impondo, cada vez mais, o temor de ir para a escola com o objetivo de apagar as luzes da consciência crítica e barrar o exercício da cidadania.
Os especialistas, nestes dias, mergulharão ainda uma vez na análise da chacina da Flórida para tentar encontrar uma explicação, mas um fator em comum chama logo nossa atenção: o acesso fácil às armas, não importa se o caminho para chegar até elas for lícito ou ilícito. Todos os dramáticos fatos que lembrei demonstram que a indústria da morte não consegue controlar o destino de sua mortífera produção. As fábricas produzem armas sem se importar se param nas mãos de loucos, bandidos, militares que não conseguem viver sem cheiro de pólvora ou sem apertar o gatilho, guerrilheiros, mercenários sem escrúpulos ou chefes de Estado que impõem os interesses de seus países patrocinando a venda de armas e promovendo guerras. Até quando acabam nas mãos dos “cidadãos de bem” tornam-se responsáveis por tragédias. As indústrias da morte produzem armas sem se importar se elas, depois, são usadas para matar inocentes, inclusive crianças e adolescentes enquanto estão na sala de aula.
Chega! Os fatos não deixam dúvidas: quem semeia armas só recolhe cadáveres, inclusive daqueles que ainda acreditam que armar a sociedade seja o remédio melhor para acabar com a violência.
Por Padre Saverio Paolillo
Conhecido como Padre Xavier, é missionário Comboniano e atua na Pastoral do Menor e Carcerária, Cedhor/PB. Atuou no Estado como diretor-presidente da Cáritas Diocesana de Vitória e como membro da Pastoral do Menor da Arquidiocese de Vitória