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Eleições

As igrejas e a sua responsabilidade política

As igrejas não devem fazer política partidária, indicar ou referendar candidaturas. Seu papel é é propor critérios éticos e bíblicos para definição do voto, como pensar no bem comum

Publicado em 05 de Setembro de 2018 às 08:21

Públicado em 

05 set 2018 às 08:21

Colunista

É missão das igrejas formar a consciência de cidadania Crédito: Aaron Burden/ Unsplash
Joarês Mendes de Freitas*
Frequentemente, a participação das igrejas no processo político tem alternado entre um engajamento comprometedor com ideologias contrárias aos princípios cristãos, geralmente apoiado numa exegese distorcida das Escrituras. E no outro extremo, uma inexplicável alienação, omissão proposital, justificada pela falsa crença de que política e fé não podem interagir na construção de uma sociedade mais justa e harmônica.
A reforma religiosa iniciada em 1517, na Alemanha, restaurou o conceito de separação entre Estado e Igreja como instituições independentes. Já a Constituição brasileira assegura que o país é laico. Isso significa que um não tem ascendência sobre o outro. No entanto, é elementar que ambos podem e precisam trabalhar juntos pelo bem comum, o que é a essência da política em seu sentido mais puro.
Aristóteles (384-322 a.C) fazia distinção entre simples habitantes e cidadãos. Estes, os que se envolviam na transformação da comunidade. O filósofo irlandês Edmund Burke (1729-1797) escreveu: “Para que o mal triunfe basta que os bons fiquem de braços cruzados”. O pastor batista norte-americano Martin Luter King Jr. (1929-1968) afirmou: “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”. Jesus Cristo disse aos seus seguidores: “Vocês são o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5.13-14). Sal e luz são, por natureza, agentes influenciadores do meio.
As igrejas não devem fazer política partidária, apoiar ideologias, indicar ou referendar candidaturas. Não podem se tornar palanques eleitorais, embora recebam bem e orem por todos que as procuram. É missão das igrejas: formar a consciência de cidadania, defender os princípios ético-morais e o bem comum. Trabalhar pela justiça, respeito e harmonia no convívio social.
O papel das igrejas é propor critérios éticos e bíblicos para definição do voto, tais como: pensar no coletivo e não em interesses individuais ou de grupos; avaliar a integridade de caráter do candidato, sua capacidade para a função e, se já ocupou cargo público, suas realizações; analisar a viabilidade das suas propostas; saber que ideologia representa e quem são seus apoiadores.
Alienação e oportunismo são atitudes que precisam ser evitadas ao exercer o mais elementar dos direitos da democracia - o voto. E as igrejas podem ajudar muito nesse objetivo.
* O autor é pastor emérito da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi

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