
Gustavo Calmon Holliday*
Conforme tenho falado há alguns anos, o maior problema do Brasil é a corrupção, especialmente a sistêmica. O Índice de Percepção da Corrupção 2018 (IPC), divulgado recentemente pela Transparência Internacional, revela que o Brasil está entre os países mais corruptos do mundo, perdendo sete posições nos últimos dois anos.
Outras pesquisas, como a feita pela Fundação Getúlio Vargas 12 anos atrás, já davam conta de que o impacto da corrupção naquela época custaria R$ 6 mil a cada brasileiro. Até mesmo no contexto atual, em razão do mais recente e lamentável acidente ambiental, lá está a corrupção.
Sem necessariamente fazer um prejulgamento dos engenheiros que foram presos por atestarem a segurança da barragem de Brumadinho (MG) mas, diante do notório vazamento, sem nenhum fenômeno natural que o justificasse, é muito provável que alguém atestou a regularidade da mesma de forma indevida. E, obviamente, alguém se beneficiou com isso, em detrimento de centenas de vidas e do ecossistema local.
Essa situação não é imaginável em um país de primeiro mundo. E qual é a solução? Em curto prazo, a sugestão é a realização de campanhas educativas para que se deixe no passado o jeitinho brasileiro de “querer levar vantagem em tudo”. Aqueles que se acham mais espertos quase sempre estão iguais ou, na maioria das vezes, piores que a média.
Em médio prazo, é preciso haver reformas no sistema político e no sistema penal, especialmente na execução penal (acabar com a impunidade). E, em longo prazo, investir pesado na educação e, por consequência, proporcionar a melhoria do nível cultural da nação.
O problema não é tão simples de resolver e será necessário o engajamento de toda a sociedade, juntamente com as instituições públicas de controle e fiscalização para reverter esse quadro negativo que piora a cada ano. Está mais do que na hora de reagir para que possamos ter um futuro melhor.
*O autor é procurador do Estado e membro da Associação dos Procuradores do Estado do Espírito Santo (Apes)