Por muito tempo, falamos sobre a mudança climática como algo que aconteceria no futuro. Um problema das próximas décadas, das próximas gerações. Mas basta olhar ao redor para perceber que esse futuro já chegou.
O desastre que atingiu o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26) é mais um sinal doloroso dessa realidade. As causas ainda estão sendo investigadas, mas as primeiras análises apontam para o colapso de parte de uma geleira, seguido por um grande deslocamento de gelo, pedras e sedimentos. A tragédia carrega um alerta que não pode ser ignorado: o planeta está mudando diante dos nossos olhos.
Os efeitos da mudança climática estão cada vez mais próximos. Nas ondas de calor mais intensas e frequentes, nas secas prolongadas, nos incêndios florestais, nas chuvas extremas, nas enchentes, nos deslizamentos e na perda acelerada das geleiras.
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Os dados confirmam a dimensão dessas transformações. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, os últimos 11 anos foram os 11 mais quentes já registrados. O ano de 2024 foi o mais quente da série histórica, com temperatura média global de aproximadamente 1,55°C acima dos níveis pré-industriais.
Em 2025, mesmo com a influência de condições naturais que ajudaram a conter temporariamente as temperaturas, o planeta viveu um dos três anos mais quentes já registrados.
Se o mundo mantiver apenas as políticas que já estão em vigor, o aumento da temperatura global poderá chegar a 2,8°C até o fim deste século. Mesmo que todos os compromissos anunciados pelos países sejam cumpridos, a estimativa ainda fica entre 2,3°C e 2,5°C. Ainda assim, não vamos atingir a meta de limitar o aquecimento a 1,5°C.
O que acontecerá nas próximas décadas depende das decisões que tomarmos agora. E não se trata apenas de reconhecer a urgência, mas de transformar compromissos em ações concretas.
Governos precisam incorporar a questão climática ao planejamento das cidades. As empresas, por sua vez, devem estabelecer metas reais, reduzindo seus impactos e as emissões de gases de efeito estufa.
Também precisamos falar sobre adaptação. As mudanças já estão acontecendo. Por isso, é fundamental preparar cidades e comunidades para os riscos que não podem mais ser evitados.
Isso significa investir em sistemas de alerta, planos de emergência, proteção de encostas, recuperação de rios e florestas e infraestrutura capaz de enfrentar condições climáticas mais severas. Significa, sobretudo, ouvir as comunidades. Quem vive nelas e conhece seus riscos e necessidades.
Ainda podemos evitar os cenários mais graves. Já sabemos o que precisa ser feito e temos boa parte das ferramentas necessárias. O que falta é agir na velocidade que o momento exige.