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Fernanda Andreão Ronchi

Artigo de Opinião

É advogada especialista em Direito Médico e da Saúde
Fernanda Andreão Ronchi

Saúde na era da IA: mais respostas, novas perguntas

O uso crescente da IA também inaugura um novo conjunto de desafios jurídicos. Até que ponto essas ferramentas podem influenciar decisões clínicas?
Fernanda Andreão Ronchi
É advogada especialista em Direito Médico e da Saúde

Publicado em 24 de Agosto de 2026 às 15:35

Publicado em 

24 ago 2026 às 15:35

Nunca foi tão fácil obter respostas sobre saúde. Em poucos segundos, plataformas de inteligência artificial são capazes de explicar sintomas, sugerir diagnósticos, resumir estudos científicos e responder a perguntas que, até pouco tempo atrás, exigiam uma busca mais criteriosa em fontes confiáveis.


A velocidade surpreende, mas, na saúde, rapidez nunca foi sinônimo de segurança. A inteligência artificial representa um dos maiores avanços tecnológicos das últimas décadas e tende a transformar a forma como profissionais e pacientes acessam informações. O desafio, porém, não está na tecnologia em si, mas na forma como decidiremos utilizá-la.


É natural que pacientes recorram a essas ferramentas para compreender melhor uma doença, interpretar um diagnóstico ou esclarecer dúvidas após uma consulta ou realização de exames. 

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Da mesma forma, profissionais de saúde já encontram na inteligência artificial um importante apoio para organizar informações e otimizar parte de sua rotina. O problema surge, contudo, quando a tecnologia deixa de ser um instrumento de apoio e passa a ocupar um espaço que pertence ao julgamento humano.


Na saúde, nenhuma decisão é apenas técnica. Ela também envolve implicações éticas e jurídicas, e é justamente nesse ponto que a inteligência artificial desafia o Direito.

O uso crescente da IA também inaugura um novo conjunto de desafios jurídicos. Até que ponto essas ferramentas podem influenciar decisões clínicas? Como preservar a autonomia do profissional e a segurança do paciente diante dessa nova realidade? 


Essas questões já fazem parte do debate jurídico internacional, mas uma premissa permanece inalterada: nenhuma tecnologia assume a responsabilidade pelas decisões tomadas. Essa responsabilidade continua sendo humana.


O Direito Médico não existe para impedir a inovação. Sua função é estabelecer parâmetros para que ela aconteça de forma ética, segura e transparente. Isso significa proteger a autonomia do paciente, preservar a responsabilidade dos profissionais, assegurar o dever de informação e acompanhar os novos desafios que surgem com o avanço dessas tecnologias.

Saúde Arquivo

Seria um erro reduzir esse debate a uma oposição entre tecnologia e medicina. Ao longo da história, a saúde sempre incorporou novas ferramentas, dos exames de imagem aos prontuários eletrônicos. 


A diferença é que, agora, estamos diante de sistemas acessíveis a milhões de pessoas e capazes de influenciar decisões e comportamentos em uma velocidade jamais vista.


Por isso, talvez a pergunta mais importante já não seja até onde a inteligência artificial poderá chegar. A verdadeira questão é se estaremos preparados para utilizá-la sem abrir mão daquilo que sustenta a prática da medicina: o discernimento, a ética, a responsabilidade e a confiança.


A inteligência artificial continuará evoluindo, o Direito também precisará evoluir para acompanhar essa transformação, mas existe um princípio que permanece inalterado: algoritmos podem oferecer respostas, mas a decisão e a responsabilidade por ela continuam sendo humanas.

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