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Artigo de Opinião

Internet

Revolução digital é a causa da derrocada humana

Há momentos em que o silêncio dignifica. É preciso abster-se de palavras que nos tornem ainda menores do que já somos

Publicado em 30 de Abril de 2019 às 19:41

Publicado em 

30 abr 2019 às 19:41

Revolução digital

Elda Bussinguer*

Dentre as grandes revoluções que mudaram os rumos da história humana, talvez nenhuma outra tenha tido tanto impacto quanto a Revolução Digital.

Jamais a comunicação humana foi tão rápida, vigorosa e eficaz quanto a possibilitada, hoje, pelas redes sociais. Na ilusão do autocontrole discursivo, expomo-nos, correndo os riscos do imediatismo e do desejo de nos apresentarmos plenos de saber, poder, belezas e felicidades.

As instituições e os grupos organizados delas se utilizam de forma mais racional e planejada. Discursos controlados por profissionais altamente especializados em técnicas de comunicação virtual, talhados para a captura de nossas mentes e direcionamento de nossos desejos e vontades, nos conduzem a um consumismo exacerbado, alimentando os desejos do capital e fazendo-nos reféns de uma lógica perversa e excludente.

A impossibilidade real, condicionada pelo tempo e pelas fronteiras de nossa biologia, de apropriação de todos as informações que por elas transitam, são fonte causadora de angústia, ansiedade, solidão e depressão.

Na perspectiva individual, as redes sociais, ao mesmo tempo em que podem transportar ao “céu” e aos píncaros da fama, também podem conduzir ao “inferno” e às profundezas da dor e da exposição pública e vexatória, desvelando, muitas vezes, a face mais horrenda do que nos constitui.

Tenho visto intelectuais, antes admirados e cultuados por seu saber refinado perderem-se em postagens pífias e/ou de linguagem típica dos pobres de mente e de espírito. Sugiro a estes que se recolham ou passem suas postagens pelo crivo da inteligência média e do bom senso, que a ninguém envergonha.

Tenho visto líderes religiosos em exposições violentas e agressivas com os discordantes, em um exercício acusatório e desqualificador dos grupos religiosos ou políticos divergentes, que mais os expõem do que expõem a quem elas se destinam.

Sugiro a estes que se recolham ou que moderem suas linguagens, compatibilizando-as com o Deus cheio de amor e acolhimento que afirmam proclamar. O ódio e o incentivo a políticas de manutenção de privilégio para os poderosos e de retirada de direitos dos pobres se mostram incompatíveis com a fé que se arvoram propagar.

Há momentos em que o silêncio dignifica e purifica. É preciso, portanto, abastecer o espírito, seja por grandeza, seja por inteligência, abstendo-se de palavras que nos tornem ainda menores do que já somos.

*A autora é doutora em Bioética e coordenadora do Doutorado em Direito da FDV

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