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É pneumologista e especialista em Medicina do Sono e Vice-presidente da Associação Brasileira do Sono – regional ES

Quanto vale uma boa noite de sono?

Os medicamentos para dormir devem ser a última alternativa. Antes disso, há exames e métodos que podem ajudar muito. Um dos mais comuns é a polissonografia, que hoje pode ser realizada no conforto de casa

  • Jessica Polese É pneumologista e especialista em Medicina do Sono e Vice-presidente da Associação Brasileira do Sono – regional ES
Publicado em 14/03/2025 às 10h00

14 de março é o Dia Mundial do Sono, data que reporta a importância de um dos pilares mais importantes para a longevidade e a qualidade de vida. Dormir mal, ou pior, dormir pouco, pode trazer impactos profundos na saúde física e mental. Segundo estudo publicado na Sleep Epidemiology em 2022, 65% dos brasileiros não dormem bem.

Percebo diariamente como as mudanças na rotina moderna afetam o sono das pessoas. A forma como vivemos nossas horas de vigília – ou seja, o tempo em que estamos acordados – afeta diretamente o momento de dormir. E isso vai além de um simples cansaço.

Muitas vezes, quando começamos a ter dificuldades para dormir, acabamos criando uma obsessão pelo sono, o que, paradoxalmente, só piora a situação. A ansiedade é um dos grandes vilões. Quem nunca deitou na cama com a cabeça cheia de preocupações e não conseguiu pegar no sono? É como um círculo vicioso: compromissos diários acumulados, sensação de que o tempo é curto e aquele momento de relaxar no fim do dia simplesmente desaparece.

Quando uma pessoa finalmente se deita, não consegue adormecer ou enfrenta problemas como insônia, ronco, apneia do sono ou despertares frequentes. Isso faz com que o sono não seja reparador, resultando em um dia seguinte cheio de indisposição. Essa rotina vai se repetir, comprometendo não só o bem-estar, mas também aumentando a vulnerabilidade a infecções, desequilíbrios inflamatórios, doenças metabólicas e cardiovasculares, como diabetes e obesidade.

Os medicamentos para dormir devem ser a última alternativa. Antes disso, há exames e métodos que podem ajudar muito. Um dos mais comuns é a polissonografia, que hoje pode ser realizada no conforto de casa. Com um aparelho portátil, o paciente consegue fazer o exame em seu ambiente, o que facilita bastante, principalmente para quem tem dificuldade em dormir no laboratório.

Dia Mundial do Sono: mulher dormindo
Dia Mundial do Sono: mulher dorme tranquilamente. Crédito: Shutterstock

Além disso, é fundamental trabalhar em mudanças de hábitos. Sempre faço questão de passar recomendações personalizadas para meus pacientes. A chamada higiene do sono, por exemplo, é uma prática poderosa. Adotar horários regulares para dormir e acordar, evitar cafeína e telas à noite, e criar um ambiente tranquilo no quarto são apenas algumas dicas que podem transformar a qualidade do sono.

A terapia cognitivo-comportamental para insônia, atividades físicas regulares (preferencialmente de manhã ou à tarde) e técnicas de relaxamento também ajudam bastante.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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