Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

  • Início
  • Artigos
  • Nem a morte tem sido capaz de interromper a violência contra as mulheres
Jack Rocha

Artigo de Opinião

É deputada federal e coordenadora-geral da Secretaria da Mulher e da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados
Jack Rocha

Nem a morte tem sido capaz de interromper a violência contra as mulheres

A liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de agredir, humilhar ou desumanizar
Jack Rocha
É deputada federal e coordenadora-geral da Secretaria da Mulher e da Bancada Feminina na Câmara dos Deputados

Publicado em 18 de Junho de 2026 às 17:32

Publicado em 

18 jun 2026 às 17:32

A violência contra as mulheres não termina quando a vida é interrompida. Infelizmente, em muitos casos, ela continua, se transforma e encontra novos meios de se manifestar. O caso de Maria Eduarda é uma dolorosa demonstração dessa realidade.


Quando uma jovem de apenas 21 anos perde a vida em um trágico acidente, o que se espera de uma sociedade minimamente comprometida com a empatia é solidariedade, respeito e acolhimento à família. No entanto, vimos algo muito diferente. Antes mesmo que seus familiares pudessem viver o luto em paz, as redes sociais foram tomadas por comentários ofensivos, julgamentos cruéis, ataques misóginos e discursos de ódio dirigidos não apenas à sua memória, mas também à sua condição de mulher.


Esse episódio nos obriga a refletir sobre um problema que vem crescendo de forma preocupante: a banalização da misoginia. Muitas vezes, ela não aparece apenas nos casos extremos de violência física ou nos feminicídios que chocam o país. Ela também se manifesta nas palavras, nos comentários, nas humilhações públicas, nas campanhas de difamação e na tentativa permanente de desumanizar mulheres.

Jovem foi lançada sem corda em salto de rope jump em Limeira, no interior de SP Reprodução/redes sociais

O ambiente digital ampliou essa realidade. O ódio deixou de ser isolado para se tornar organizado, compartilhado e multiplicado em velocidade inédita. Em diversos espaços da internet, a hostilidade contra mulheres virou conteúdo, audiência e até fonte de lucro. 


O resultado é devastador. O que nasce nas telas não permanece restrito a elas. Esse discurso influencia comportamentos, reforça preconceitos e fortalece uma cultura que naturaliza a violência de gênero.


O caso de Maria Eduarda revela exatamente isso. Os ataques dirigidos à sua memória não surgiram do nada. Eles fazem parte de uma engrenagem social que diariamente ensina que mulheres podem ser julgadas, constrangidas e atacadas simplesmente por existirem. 


Quando uma sociedade perde a capacidade de respeitar uma mulher até mesmo depois de sua morte, estamos diante de algo muito mais profundo do que a intolerância. Estamos diante da normalização da misoginia.


Como deputada federal, tenho dedicado minha atuação à defesa incondicional das mulheres e ao enfrentamento de todas as formas de violência que insistem em limitar suas vidas, seus sonhos e sua liberdade. Essa luta inclui o ambiente digital, onde milhares de brasileiras são vítimas de perseguição, humilhação, ameaças e campanhas de ódio que causam danos reais às suas vidas. 


Não podemos aceitar que a internet seja tratada como uma terra sem lei ou como um espaço onde direitos fundamentais deixam de existir.


Nenhuma plataforma está acima da legislação brasileira. Nenhum algoritmo pode servir de justificativa para a disseminação de conteúdos que promovam violência, discriminação e ataques sistemáticos contra mulheres. 

Veja Também 

Imagem de destaque

O salto sem corda: uma imagem que rompe qualquer lógica

Imagem de destaque

Os erros que podem estar por trás da morte de jovem atirada de ponte sem corda em Limeira: 'Não foi um mero acidente'

Imagem de destaque

Investigados por morte de jovem em salto sem corda alegam esquecimento

A liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de agredir, humilhar ou desumanizar. Esse espaço deveria ser instrumento de conexão, conhecimento e oportunidades, mas, infelizmente, tem sido utilizado para disseminar ódio, preconceito, perseguição e agressões que deixam marcas profundas.


Foi com esse compromisso que apresentei propostas voltadas ao combate da violência digital de gênero, buscando responsabilizar agressores, fortalecer a proteção às vítimas e enfrentar a sensação de impunidade que ainda persiste quando os ataques acontecem nas redes e plataformas digitais. 


A tecnologia deve servir para aproximar pessoas e ampliar direitos, jamais para reproduzir desigualdades ou potencializar violências históricas.


A misoginia não pode continuar sendo minimizada, relativizada ou tratada como algo secundário. Ela está na raiz de inúmeras violências que atingem mulheres e meninas todos os dias. Está presente no assédio, na violência doméstica, na violência política de gênero, na perseguição virtual, nas tentativas de silenciamento e na naturalização de discursos que desumanizam mulheres simplesmente por serem mulheres. 


Por isso, a aprovação de uma legislação específica para o seu enfrentamento é uma necessidade urgente. 


A história de Maria Eduarda deve servir como alerta. Sua morte já representa uma perda irreparável. Os ataques dirigidos à sua memória e à sua família representam uma segunda violência que podemos admitir e, muito menos, naturalizar. 


Quando uma mulher continua sendo alvo de ódio mesmo após perder a vida, toda a sociedade precisa se perguntar que tipo de valores estamos reproduzindo.


Nenhuma democracia será plenamente justa enquanto mulheres continuam sendo tratadas como alvos legítimos de violência, dentro ou fora das redes. Respeitar as mulheres não é apenas uma pauta de direitos humanos. É uma condição indispensável para a construção de uma sociedade mais democrática, mais igualitária e mais humana.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados