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Ariosto Santos

Artigo de Opinião

É cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)
Ariosto Santos

Menos excesso, mais anatomia: a virada de maturidade da cirurgia plástica

Recuo global de 15,7% nos procedimentos não cirúrgicos — com queda de 25% no ácido hialurônico — reflete a percepção clara da sociedade sobre os riscos da desarmonização facial
Ariosto Santos
É cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)

Publicado em 07 de Novembro de 2026 às 10:00

Publicado em 

07 nov 2026 às 10:00

Ao longo das últimas décadas, a cirurgia plástica mundial foi atravessada por ciclos bem definidos. Assistimos a eras marcadas por volumes expressivos e, mais recentemente, pela promessa de que procedimentos injetáveis poderiam substituir a anatomia clássica. Hoje, no entanto, o mais recente relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgado no fim de setembro, atesta uma virada histórica: a estética contemporânea atingiu a sua maturidade. O artificial perdeu espaço; a harmonia anatômica e a durabilidade reassumiram o protagonismo.

 

O dado que coloca o Brasil como líder mundial em procedimentos cirúrgicos, ultrapassando os Estados Unidos com mais de 2,36 milhões de intervenções, não é apenas um marco quantitativo. Ele traduz a excelência técnica da cirurgia brasileira e revela uma mudança substancial no comportamento dos pacientes. O país se consolidou como o que mais opera face e cabeça no planeta (908 mil intervenções), impulsionado fortemente pela blefaroplastia.

Cirurgia plástica que tem como objetivo levantar os seios
Mastopexia (elevação das mamas) disparou 48,1% no mundo e Brasil assumiu a liderança incontestável da técnica Crédito: Shutterstock


Esse movimento responde diretamente ao chamado "cansaço dos preenchedores" (filler fatigue). O recuo global de 15,7% nos procedimentos não cirúrgicos — com queda de 25% no ácido hialurônico — reflete a percepção clara da sociedade sobre os riscos da desarmonização facial. O acúmulo contínuo de substâncias sintéticas não rejuvenesce; ele infla, pesa e distorce contornos naturais. Pacientes cada vez mais conscientes compreenderam que reposicionar estruturas profundas e a musculatura facial por meio da cirurgia oferece um resultado autêntico, elegante e duradouro.

 

Essa mesma busca por leveza ecoa no contorno corporal. A mastopexia (elevação das mamas) disparou 48,1% no mundo, e o Brasil assumiu a liderança incontestável da técnica, encostando nos implantes primários de silicone. A mulher contemporânea não deseja mais volumes desproporcionais; a prioridade agora é a sustentação, a simetria e o remodelamento do próprio tecido mamário. Quando há o desejo de retirada definitiva da prótese — refletido nos quase 50 mil explantes feitos no país —, a lipoenxertia com a própria gordura da paciente surge para esculpir formas anatômicas sem o uso de materiais sintéticos.

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Paralelamente, a quebra de tabus consolidou a presença masculina, que já responde por mais de 2,5 milhões de cirurgias no mundo, com foco na discrição, na correção da ginecomastia e no rejuvenescimento funcional do olhar. Do mesmo modo, o Brasil firma sua vocação como destino de confiança global no turismo médico, atraindo pacientes dos EUA e da Europa que buscam nosso rigor técnico e refinado olhar artístico.

 

O levantamento da ISAPS, em suma, não traz apenas estatísticas; traz lucidez. A especialidade reencontrou sua melhor essência: aquela que respeita a individualidade biológica, prioriza a segurança em ambiente hospitalar e entende que a verdadeira elegância nunca esteve no excesso, mas sim no equilíbrio natural e perene.

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