No Dia Internacional da Mulher precisamos responder a essa questão. O título deste artigo veio da pergunta que ouvi das minhas filhas de 10 e 12 anos durante um almoço. E assim inicio essa reflexão e luta. O que parece algo pequeno, carrega um longo histórico de submissão e violência contra as mulheres.
A humanidade já atravessou muitas histórias tristes devido à intolerância e a atitudes que reforçam as desigualdades, fazendo com que a palavra respeito, aqui tratando especialmente à igualdade de gênero, se torne norma que deve ser fortalecida em nossas vidas a todo tempo, promotora de uma cultura de paz.
A questão é que, quando se atinge uma determinada série, entre 11 e 12 anos, as meninas só podem usar calças, tendo apenas essa opção como uniforme, não sendo mais permitido o uso de bermudas, mas os meninos permanecem com todas as opções de vestimenta, com calça ou bermuda.
Nem seria necessário dizer o quanto a vestimenta é incômoda nos meses de verão, que perduram a maior parte do ano para nós brasileiros, bem como desestimula a prática de brincadeiras que cobrem um pouco mais de movimento do corpo. E, pasmem, inclusive a educação física tem sido feita de calça.
A adoção dessa medida requer reflexão, assim como a adoção urgente de novas posturas, ações e mentalidades. A escola é lugar de debate e de revisão periódica de conteúdos e processos pedagógicos, inclusive sobre o respeito à diversidade de gêneros. Mas como ensinar o que não se pratica? A definição do uniforme diferente para meninos e meninas, limitando-as pelo simples fato de serem meninas, precisa ser revista.
Não se trata apenas da bermuda, estamos falando de respeito. Não podemos mais aceitar qualquer tipo de agressão ou limitação. A obrigação da escola é promover a Igualdade, enquanto princípio constitucional, sendo pública ou particular.
Em frente à insistência de algumas mães, algumas escolas permitiram adaptar a bermuda dos meninos ou disseram que estão pensando em autorizar a "calça" corsário. Mais agressões e submissões. A regra mantém os meninos livres e, mais um vez, submete e subjuga as meninas com a desculpa de “proteção”. Mas, dentro da escola, protege-se de quem?
O dever das instituições seria educar quem poderia agredir, mas ao contrário, como modelo ultrapassado de educação, agride, fere, submete e ignora ao restringir as opções delas. E essa é a resposta que dei para as minhas filhas. Estamos juntas nessa luta!