O mundo moderno passa por estranha transformação nos saberes. Os conhecimentos constituídos pelos saberes científicos são objeto de incursões hostis de parte da população, que julga que as verdades históricas estão em outro lugar fora da cientificidade.
Outros, que por sua vez, advogam que os saberes históricos e psicológicos são os novos inimigos.
O uso da História e da Psicologia, por exemplo, foram alçados à categoria de desafetos orgânicos. Pode-se dizer que a liberdade de pensar é legítima na medida em que é garantido a todos a livre manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
Contudo, a licença de liberdade para divulgar contestações anticientíficas, históricas e psicológicas é fronteiriça e concomitante às atitudes críticas do próprio ato de contestar.
Talvez, aqui, neste ponto em específico, a adesão incondicionada de parte da população às posições cercadas de radicalismo partidário, de ódios penalizados pela história e da ausência de senso crítico, tem levado à manifestação de pensamentos em que os espaços para os diálogos se esgotaram.
As conversas passaram do campo das ideias, essencial para o amadurecimento social, para o confronto em trincheiras sem armistício.
As festividades de encerramento de ano, cercada por encontros familiares, reuniões de trabalho, churrascos de confraternização de amigos e não mais bons amigos, tornaram-se superfície fértil para a manifestação de visões e interpretações capturadas e colonizadas por posições sem atitudes críticas, não raro, alicerçadas na defesa de achismos com pontos de reflexões de difícil fundamentação conceitual e ética.
Assim, a ascensão dos discursos totalitários e dos argumentos imaginários, na busca frenética para o estabelecimento de inovadoras verdades desconectadas dos saberes historicamente constituídos pela humanidade, serão os novos protagonistas na construção de uma sociedade na qual não saberemos quais serão os paradigmas de respeito à vida e ao próximo.
*O autor é psicólogo e mestre em Psicologia Institucional pela Ufes