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Artigo de Opinião

Cotidiano

Estamos vivendo uma nova e repaginada guerra civil

Brasileiros, por que ainda não fomos às ruas exigir punição aos responsáveis por esta tremenda tragédia?

Públicado em 

18 fev 2019 às 22:14
Com fortes chuvas em Brumadinho, bombeiros concentram buscas no rio Paraopeba
Rômulo Augusto Penina*
O Brasil está de luto diante da recente tragédia em Minas Gerais, que ceifou a vida de inocentes e seus familiares. Considero tratar-se uma nova e repaginada guerra civil, em que a Vale é a responsável. São crimes cometidos também por bandidos, enquanto o povo brasileiro clama por justiça, o que ainda não aconteceu.
O gênio Amarildo descreveu bem essa situação: “O erro nos ensinou a errar em Mariana (2015). A tragédia se repete Brumadinho (2019)”. Um especialista na área chegou a afirmar que “a Vale não tem Código de Conduta do Meio Ambiente”. O jornalista Elio Gaspari reforça: “As mineradoras precisam de uma Lava Jato”.
Ninguém acredita quando a mineradora fala. Por que só agora, após mais uma tragédia, resolveu eliminar outras barragens como a de Brumadinho?
A impunidade é uma velha conhecida dos brasileiros: três anos depois do desastre da Samarco, também em Minas Gerais, e com consequência imensurável ao Rio Doce, R$ 350 milhões em multas aplicadas pelo Ibama ainda não foram pagas. Desde então, Anchieta e sua população sofreram imensos prejuízos, já que a empresa ainda está fechada. Acorda Brasil de Bolsonaro!
O estudioso Charles Perrow disse que “nem os acidentes normais precisam resultar em tragédias com tamanhas perdas”. Aí entra o descaso deste recente caso. O alarme que avisaria às pessoas do perigo não soou. É apenas mais uma das falhas da empresa, que ainda não soube dizer com precisão qual é a velocidade aceitável de um acidente para que os procedimentos de segurança sejam ativados.
Eliminando-se o atraso, as mentiras e a impunidade, a verdade é que a cruel lama de rejeitos levou vidas. O alarme não tocou e não deu uma chance às vítimas. Pior é saber que a Vale soube dos defeitos nos seus sensores dois dias antes do desastre.
A Vale tem fama de empresa séria por suas responsabilidades regulatórias. Passados três anos de Mariana, e poucas semanas de Brumadinho, a conclusão é que o Brasil não aprendeu a criar termos para protocolos de riscos.
Concluímos citando a página de humor sensacionalista - isento de verdade - da revista “Veja”: “Vale garante que a tragédia nunca mais se repetirá”.
Brasileiros, por que ainda não fomos às ruas exigir punição aos responsáveis por mais esta tremenda tragédia?
*O autor é ex-reitor da Ufes
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