A América Latina é hoje, segundo um relatório do BID, o continente que mais envelhece no mundo: na próxima década, um terço da população vai ter mais de 60 anos, se igualando a países como o Japão.
O dado é um dos muitos que justificam a ascensão da “economia do bem-estar”, que surge fortalecida pela premissa de que viver mais não é suficiente. É preciso também viver melhor, conquistando, além da longevidade, vitórias como mais anos de autonomia, segurança financeira, vínculos sociais compensadores, entre outros.
Significa dizer que a dobradinha exercício físico e alimentação – que segue fundamental, é claro – abre espaço para ingredientes outros que também pesam na balança que aponta a vida que vale a pena ser vivida.
Adianta apostar em melhorias físicas e estéticas e esquecer que o cérebro também precisa de cuidados para acompanhar o corpo? Adianta atrasar a aposentadoria para garantir segurança financeira e desprezar a importância de se cultivar amigos, vínculos sociais e hábitos de lazer e relaxamento? São perguntas que estão cada vez mais na mira das pesquisas científicas e que, por mais subjetividade que carreguem, já apontam para a conclusão de que o bem envelhecer é multidimensional e abrangente.
Nesse contexto, está o movimento que começa a ganhar forma e força com o objetivo de atender demandas capazes de criar um contexto favorável a esse envelhecimento. Nele cabem de grandes temas, desde a questão da aposentadoria e da independência financeira em um país com tantas desigualdades, até questões de dia a dia como iluminação dos ambientes, espaços públicos amigáveis para a pessoa idosa, rótulos com letras maiores e celulares com teclas mais adequadas a quem passou a maior parte da vida numa “era analógica”.
Como um agente do mercado de saúde que tem a pessoa idosa como foco, temos nos debruçado sobre essa causa, ampliando nosso propósito para além do envelhecimento saudável como algo apenas relacionado ao corpo físico e indo ao encontro das demandas mais amplas do bem envelhecer.
Assim, assumimos a liderança de um trabalho de mapeamento de “agetechs” realizado junto a Abstartups, entidade que reúne mais de 14 mil startups no Brasil e de quem somos mantenedores, e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O objetivo é levantar o que já existe de atividades e iniciativas que se encaixem dentro do conceito de bem envelhecer a fim de propor discussões sobre a evolução do ecossistema de agetechs no Brasil.
Nossa iniciativa vem da certeza de que a colaboração é o único caminho que temos para sanar os desafios que o envelhecimento populacional nos apresenta. Estamos convictos de que não se trata de uma missão para apenas uma empresa ou para um único ator. Ao contrário, é preciso unir forças e sensibilizar cada vez mais empresas, governos e sociedade.
O caminho é longo, mas o objetivo – uma vida mais saudável, realizada e feliz para o maior número possível de pessoas– certamente compensará o esforço.