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Maria Benedita Reis

Artigo de Opinião

É médica psiquiatra especialista em psicogeriatria
Maria Benedita Reis

Como proteger sua saúde mental diante do clima eleitoral e da guerra digital

Não temos controle sobre tudo o que acontece no mundo, mas podemos escolher como nos relacionamos com essas informações
Maria Benedita Reis
É médica psiquiatra especialista em psicogeriatria

Publicado em 15 de Outubro de 2026 às 10:00

Publicado em 

15 out 2026 às 10:00

Você já percebeu como uma simples olhada nas redes sociais pode transformar um momento de tranquilidade em ansiedade, irritação ou preocupação? Em períodos de maior tensão política, essa sensação se torna ainda mais frequente. 


As discussões se intensificam, as notícias chegam a todo instante e, muitas vezes, temos a impressão de que precisamos acompanhar tudo para não perder alguma informação importante.


O problema é que nossa mente não está preparada para viver permanentemente em estado de alerta. A exposição contínua a conteúdos alarmantes, conflitos e informações contraditórias pode aumentar o estresse e contribuir para sintomas como insônia, dificuldade de concentração, irritabilidade e ansiedade.

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Existe até um termo para descrever o medo de estar perdendo alguma coisa: FOMO, expressão inglesa que significa "fear of missing out", ou "medo de estar perdendo alguma coisas", em tradução livre. 


É aquela necessidade de conferir o celular repetidamente, como se algo decisivo pudesse acontecer a qualquer momento. Quando esse comportamento envolve o consumo excessivo de notícias negativas, recebe o nome de "doomscrolling".

Na prática, criamos um ciclo desgastante. Buscamos informações para nos sentirmos mais seguros, mas o excesso delas pode produzir justamente o contrário. Diante de estímulos percebidos como ameaçadores, nosso organismo ativa mecanismos de resposta ao estresse. Quando essa ativação se torna frequente, o sono, a atenção e o equilíbrio emocional podem ser prejudicados.

Outro fator preocupante é a desinformação. Notícias falsas, vídeos manipulados e mensagens alarmistas circulam rapidamente, muitas vezes apelando para o medo e a indignação. Além de alimentar conflitos, esses conteúdos podem aumentar a sensação de insegurança. 


Por isso, antes de acreditar ou compartilhar qualquer informação, é fundamental verificar sua origem, conferir a data e buscar confirmação em fontes confiáveis. Nem tudo o que chega pelo celular corresponde à realidade.

Entre os idosos, essa questão merece atenção especial. Mudanças na rotina, dificuldades para distinguir informações confiáveis e preocupações com o futuro podem ampliar sentimentos de insegurança e desamparo, especialmente entre aqueles que já apresentam alguma vulnerabilidade emocional.

Isso não significa que devemos deixar de acompanhar os acontecimentos ou participar dos debates. Estar informado é importante. O que precisamos compreender é que existe uma diferença entre buscar conhecimento e consumir informações de maneira compulsiva.

Usar o celular antes de dormir é um hábito que prejudica o descanso adequado (Imagem: goffkein.pro | Shutterstock)
Usar o celular antes de dormir é um hábito que prejudica o descanso adequado Imagem: goffkein.pro | Shutterstock

Uma boa estratégia é estabelecer horários para acompanhar as notícias, priorizando fontes confiáveis. Evitar o celular antes de dormir e preservar momentos de convivência familiar sem discussões políticas.

Atividades físicas, leitura, conversas agradáveis e uma rotina regular de sono também ajudam a reduzir a tensão. São atitudes simples, mas que fazem diferença na maneira como enfrentamos situações estressantes.

Outro cuidado importante é observar quando a preocupação começa a interferir na vida cotidiana. Se a ansiedade se torna persistente, o sono fica comprometido ou os conflitos passam a prejudicar os relacionamentos, pode ser necessário buscar acompanhamento profissional.

Não temos controle sobre tudo o que acontece no mundo, mas podemos escolher como nos relacionamos com essas informações. Cuidar da saúde mental não é se afastar da realidade. É preservar nossa capacidade de compreendê-la e enfrentá-la com equilíbrio, discernimento e serenidade.


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