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Elcio Cardozo Miguel

Artigo de Opinião

Crise política

Como em Watergate, divulgação de vídeo é essencial para destino de Bolsonaro

Caso realmente haja a prática de crimes, a sociedade brasileira clama pela renúncia dos envolvidos, como ocorreu com Nixon
Elcio Cardozo Miguel

Publicado em 14 de Maio de 2020 às 10:00

Publicado em 

14 mai 2020 às 10:00
Reunião ministerial em que Bolsonaro teria pressionado Moro para interferir na PF no Rio foi filmada
Reunião ministerial em que Bolsonaro teria pressionado Moro para interferir na PF no Rio foi filmada Crédito: Marcos Correa/PR
Na década de 1970, o caso Watergate foi o escândalo político que culminou na renúncia do presidente Richard Nixon nos EUA. Naquela oportunidade, os fatos ocorreram durante a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 1972, em que Nixon foi reeleito. Durante a campanha, houve um assalto ao comitê de campanha do opositor de Nixon, localizado no complexo Watergate, em Washington. Durante as investigações, ficou comprovado que o presidente tinha conhecimento das operações ilegais. Entre as provas, uma gravação, que foi entregue editada, suprimindo o trecho que demonstrava a atuação de Nixon.
Durante o julgamento na Suprema Corte, foi determinada a entrega das gravações originais, que demonstravam a participação do então presidente. Com isso, foi aberto o processo de impeachment. Porém, poucos dias depois, Richard Nixon se antecipou e renunciou ao cargo.
No caso brasileiro, não se trata de crimes praticados durante campanha eleitoral e tampouco com a finalidade de desestabilizar os oposicionistas. Mas temos por aqui a gravação de uma reunião do presidente Bolsonaro com seus ministros. Por fontes extraoficiais, foi possível constatar a prática de uma série de crimes, e não apenas pelo presidente da República.
Ministros de Estado defendendo a ideia de prisão para ministros do STF ou governadores e prefeitos, pelo simples fato de discordância nas políticas sanitárias no contexto da Covid-19, demonstra um grave ato, que atenta contra a ordem democrática e a separação dos poderes (no caso de ministros do STF).
A alteração de cargos de chefia da Polícia Federal com a fundamentação exclusiva na proteção de seus familiares configura crime de responsabilidade pelo presidente da República, pois atenta contra a segurança interna do país, bem como a probidade administrativa.
A divulgação do vídeo será fundamental para uma análise aprofundada do caso. Caso realmente haja a prática de crimes, a sociedade brasileira clama pela renúncia dos envolvidos, como ocorreu com Nixon no caso Watergate, para poupar todo o sofrimento democrático, social e econômico que um processo de impeachment provoca.
O autor é advogado Criminalista e Eleitoralista, mestre em Sociologia Política
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