
Mateus Del’Esposti Mazzoco*
A recente medida do governo de diminuir a verba destinada à educação superior vem sendo alvo de diversas críticas, principalmente dos ditos “defensores” da educação pública. No discurso deles, com essa medida, o governo está inviabilizando o funcionamento das universidades federais. O que os críticos não falam é que o corte foi sobre a verba destinada à manutenção, limpeza e segurança das faculdades, e não sobre seu o orçamento total. Assim, no orçamento de R$ 926 milhões da Ufes para este ano, por exemplo, o corte de 30% só se aplica a R$ 69 milhões, resultando na redução de 2,15% (R$ 20 milhões) do dinheiro total destinado à universidade. Desse modo, é perceptível o caráter manipulativo do discurso desses opositores.
O Brasil anualmente destina cerca de 6% do seu PIB à educação, a mesma quantidade que é gasta pela Suécia, famosa pelos seus serviços públicos de qualidade. Apesar disso, o Brasil ficou próximo da Argélia no Pisa, ranking que mede a qualidade da educação dos países. Enquanto isso, países como Coreia do Sul e Singapura gastam menos de 4% do PIB com educação e continuam sendo países de referência.
A grande diferença está em como esses recursos são geridos. No Brasil, a maior parte do dinheiro vai para a educação superior, onde é gasto ineficientemente. O custo mensal por aluno da Ufes é, por exemplo, de R$ 3.224,24. O custo da universidade é turbinado em razão da despesa de uma folha de pagamento de mais de 4.629 servidores públicos.
A medida do governo ocorre dentro de um contexto da maior crise econômica do país. A solução do problema da educação não é somente aumentar os recursos destinados a ela e esperar um milagre. Essa estratégia foi frequentemente utilizada por governos passados, que simplesmente aumentavam o dinheiro destinado à educação por pressão de sindicatos e corporações. Entretanto, ao analisar o estado das escolas e faculdades públicas, é possível perceber que essa ação, considerada pela maioria como a única esperança de um futuro promissor, nunca deu bons resultados. Assim, o governo brasileiro segue piorando a situação tentando matar a Hidra cortando-lhe as cabeças.
Está claro que o resultado da educação não é determinado pela quantidade de dinheiro investido. Os recursos públicos têm que ser gastos de modo eficiente, principalmente em tempos de recessão econômica.
*O autor é estudante