
Herbert Soares*
O Brasil possui pesquisadores sérios e renomados. Temos inúmeros livros publicados por aqui e fora do país tratando da Ditadura Militar instaurada no país em abril de 1964. Trabalhos de qualidade estão disponíveis em bibliotecas públicas e na internet, tudo de fácil acesso. Instituições sérias, como o Arquivo Público do Estado do Espírito Santo e o Arquivo Nacional, guardam documentos históricos e são ótimas fontes de pesquisa para conhecer o período.
Temos também declarações de indivíduos que fizeram parte da repressão e admitem torturas e assassinatos de opositores, a exemplo do ex-delegado Cláudio Guerra, agora pastor da igreja Assembleia de Deus, que confessou publicamente os crimes cometidos durante a ditadura. Outro depoimento marcante é o de Paulo Malhães, coronel reformado do Exército, que admitiu à Comissão Nacional da Verdade, sua participação em torturas, mortes, ocultações de cadáveres e mutilações de corpos de adversários do regime.
De fato, a defesa da ditadura não resiste a 30 segundos de pesquisa séria. Mesmo assim, as famosas “fake news”, impulsionadas por poderosos, correm soltas pela rede e enganam milhões de brasileiros. Para combatê-las, é importante ler, estudar e refletir com o apoio de obras que tenham alguma credibilidade. Assim, vale consultar as dissertações e teses produzidas sobre o tema no ensino superior, além de artigos e livros de historiadores especialistas como Angela de Castro Gomes, Carlos Fico, Daniel Aarão Reis, Jorge Ferreira, Rodrigo Patto Sá Motta, René Armand Dreifuss, Moniz Bandeira, bem como o trabalho dos jornalistas Elio Gaspari e Mario Magalhães.
Destaca-se, ainda, os relatórios da Comissão Nacional da Verdade e da Comissão da Verdade da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ambos disponíveis na internet e que apresentam farta documentação comprovando que o período 1964-1985 foi, sem dúvidas, uma ditadura cruel para o país.
Para os que preferem crer em robôs de internet ou em blogs de origem duvidosa, paciência. A democracia lhes dá esse direito, mas que fique o alerta, parafraseando o falecido senador norte-americano Daniel Patrick Moynihan: “Você tem direito às suas próprias opiniões, mas não tem direito a seus próprios fatos”. Ditadura nunca mais!
*O autor é mestre em História pela Ufes