Pare e pense se você não conhece alguém que, depois de se tornar avô ou avó, ficou mais ativo, disposto e feliz. É como se ter um neto fosse, para muitas pessoas, uma injeção de ânimo ou uma seta apontando o caminho para a tão desejada fonte da juventude.
É claro que ninguém volta a ter 30 anos, mas as pesquisas atuais sobre envelhecimento saudável confirmam o que muitas pessoas e famílias sentem na prática: a relação de troca entre avós e netos pode, sim, fazer muito bem à saúde.
E digo isso tanto como alguém cuja vida profissional envolve atender à população madura e à promoção do bem envelhecer quanto como avô de oito netos.
Com base nas duas experiências, acredito que o dia 26 de julho, quando comemoramos o Dia dos Avós, é um momento de celebrar, mas também um convite à reflexão: em geral, associamos o envelhecimento bem-sucedido à prática de atividade física, à alimentação equilibrada, ao sono de qualidade e ao acompanhamento médico. Sem dúvida, esses são pilares fundamentais para uma vida longa.
Mas existe outro fator igualmente importante que, muitas vezes, passa despercebido: a qualidade das relações que construímos ao longo da vida.
Hoje, a ciência já demonstra que pessoas idosas que preservam vínculos afetivos consistentes e uma vida social ativa tendem a apresentar menor risco de desenvolver doenças como depressão e ansiedade e até de experimentar declínio cognitivo.
Também tendem a ter maior autonomia, disposição e um senso mais forte de propósito. Claro que não é obrigatório que essas relações sociais envolvam netos – há amigos, vizinhos, comunidades com interesses afins e outros familiares capazes de cumprir essa função –, mas quem tem um avô ou um neto para chamar de seu tem diante de si uma boa oportunidade.
Porque, ao contrário do que muitos imaginam, essa não é uma relação de mão única. Os avós compartilham histórias, experiências, tradições e valores que ajudam a formar as novas gerações a partir de uma base sólida. Os netos, por sua vez, apresentam aos avós um mundo novo, a perspectiva de futuro e o senso de continuidade, numa troca extremamente rica.
Cada conversa, cada brincadeira, cada passeio, cada receita preparada em família ou história que repassada de uma geração para outra fortalece vínculos, estimula a memória, exercita a comunicação e reforça o pertencimento.
E mais do que isso: mostra à pessoa idosa que ela continua ocupando um lugar importante na família e na sociedade, ao mesmo tempo em que mostra à criança e ao jovem que estamos aqui para crescer e aprender, e que a experiência de quem já viveu pode ser lanterna no caminho que começa a ser trilhado.
Em um país que envelhece rapidamente, promover encontros entre diferentes gerações é, portanto, uma forma de promover saúde, levando em conta que o bem envelhecer não se resume a conquistar uma vida mais longa.
Queremos viver mais, mas também cultivar uma vida que valha a pena, com autonomia, participação, vínculos, afeto e oportunidades de continuar aprendendo, ensinando e construindo.
Por tudo isso, suspeito que, neste Dia dos Avós, talvez o melhor presente não venha embrulhado em um pacote e nem custe dinheiro. Talvez ele esteja no tempo compartilhado, em uma visita sem pressa, uma refeição à mesa, uma caminhada de mãos dadas, um ouvido atento ou mesmo uma ligação para reconhecer o quanto ter um avô ou uma avó é um privilégio. Os dois lados só têm a ganhar e a saúde agradece.