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Artigo de Opinião

Vinícius Figueira

A era da desintoxicação digital já está no ar

Estamos tentando digerir um tempo onde a tecnologia exerce cada vez mais autoridade sobre nossas emoções e conduta

Publicado em 14 de Janeiro de 2019 às 20:38

Publicado em 

14 jan 2019 às 20:38

Vinícius Figueira*

A priori, a terminologia utilizada no título deste artigo parece nascer como uma espécie de aversão ao mundo digital, mas não é bem por aí.

A verdade nua e crua é que estamos tentando digerir um tempo onde a tecnologia e seus avanços exercem cada vez mais autoridade sobre as nossas emoções e o modo de conduta das pessoas. Em alguns casos, a tecnologia vem assumindo uma forma narcotizante.

Estudo encomendado pela empresa Ford aponta que, para este ano, as pessoas buscarão ter mais bom senso entre as vidas digital e analógica. A pesquisa também se encarrega de apresentar seis caminhos com tendências acerca das transformações decorrentes da tecnologia.

A primeira delas é a divisão da tecnologia propriamente dita, que tem um profundo impacto em como nos conectamos e vemos o mundo.

A segunda é a desintoxicação digital na essência, ou seja, cada vez mais pessoas estão conscientes e alarmadas com a dependência dos aparelhos eletrônicos e buscam meios de controlar o tempo que gastam com eles.

A terceira é a recuperação do controle: consumidores que estão buscando maneiras de resgatar o poder sobre suas vidas. O quarto ponto é as muitas faces de como o “eu” se apresenta, constituindo consumidores de várias personas, variando entre como são na vida real a como se retratam on-line.

A quinta trata do trabalho da vida: o modo como encaramos o trabalho mudou e muitas pessoas no mundo agora trabalham para viver, em vez de viver para trabalhar. O sexto caminho é o Eco-momentum, ou seja, na mesma hora em que mudar hábitos cravados é cada vez mais difícil, consumidores também concordam que o progresso ambiental depende da mudanças nos comportamentos individuais.

Nota-se, portanto, que a pesquisa revela que quanto consumidores e clientes, estamos em processo de transformação. Produzir muita informação não é mais estratégico ou essencial, mas sim tóxico. O excesso embriaga e não é saboreado, e o que não tem sabor não tem identidade.

Tudo indica que 2019 será um ano em que a comunicação passará por mudanças diante do comportamento dos novos consumidores, e que novas estratégias possam desintoxicá-los em busca de um novo sentido para sua vida.

*O autor é publicitário

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