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Publicado em 3 de setembro de 2023 às 00:10
Seis em cada 10 sacas de café conilon produzidas em todo o Brasil têm um remetente: o Espírito Santo. As contas e estimativas feitas anualmente pelo Governo do Estado dão aos cafeicultores capixabas os títulos de pioneiros e líderes do mercado nacional. Mesmo com uma queda na produção de café prevista para 2023, causada pelas mudanças climáticas, o Estado continua como o maior produtor de conilon do Brasil, acumulando 67,9% de todas as sacas da variedade. >
O grão, que tem espaço consolidado nas mesas e corações dos capixabas, é um produto importante na economia brasileira e, principalmente, do Espírito Santo. O Estado é referência no conilon e ampla produção do café impacta de forma positiva na economia capixaba: 42,7% do valor bruto em dinheiro de toda a produção agropecuária é resultado do cultivo do café.>
Devido à diversidade de regiões onde a cultura do café é incentivada no país, com uma ampla variedade de climas, relevos e altitudes, a produção brasileira abrange uma vasta gama de grãos. A diversidade possibilita, por exemplo, atender às distintas demandas de paladar e orçamento, tanto dos consumidores brasileiros quanto dos estrangeiros. A variedade também permite o desenvolvimento de inúmeros blends - nome dado às misturas de diferentes cafés.>
De conilon nacional são produzidas no ES, responsável por quase 70% da produção no país
De acordo com o governo federal, o Brasil é o maior produtor e exportador de café e segundo maior consumidor da bebida no mundo. O grão é o 5º produto na pauta de exportação brasileira.>
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O presidente do Sindicato da Indústria do Café do Estado do Espírito Santo (Sincafé), Egídio Malanquini, afirma que não é possível contar a história do Espírito Santo sem incluir a trajetória e a importância do cultivo do café na economia e na sociedade.>
Egídio Malanquini
Presidente do SincaféDe acordo com o presidente do sindicato, a quantidade e a qualidade da produção são refletidas no consumo entre os capixabas. Entre os brasileiros, em média, o consumo per capita de café torrado em todo o ano de 2022 foi de 4,8 quilos. Já entre os moradores do Espírito Santo, o consumo no mesmo período foi de 5,2 quilos. Isso significa que os capixabas tomam mais café do que os brasileiros em geral. >
A produção de café é significativa para a economia do Estado e encontrada em quase todas as cidades do Espírito Santo. Ao todo, durante o ano passado, foram produzidas mais de 12,4 milhões de sacas do café conilon. Em média, são produzidas cerca de 47 sacas de café por hectare - o equivalente a 10.000 m².>
Em 2022, a área de produção foi superior a 259 mil hectares. É como se toda a produção de conilon, de Norte a Sul do Estado, ocupasse a mesma área que 259.174 campos de futebol.>
Comparando a região ocupada por pés de café em todo o Estado com parques e um bairro de Vitória, é possível compreender o tamanho da importância do grão para o Espírito Santo:>
Na avaliação do secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Enio Bergoli, o Espírito Santo é o mais completo em termos de cafeicultura. >
Enio Bergoli
Secretário de Agricultura do ESEnio Bergoli chama atenção para a adesão ao cultivo do café no Espírito Santo. Segundo dados oficiais do governo estadual, 70% das propriedades rurais do Espírito Santo cultivam alguma espécie de café. São 49 mil propriedades onde são plantados pés de café conilon.>
De acordo com números do governo do Espírito Santo, a previsão é que o Estado aumente a área de plantação do café conilon em 1% em 2023, passando para 261.921 hectares. Em 2022, a área de plantação foi de 259.174 hectares. >
A quantidade de sacas a serem produzidas neste ano, porém, deve ter queda de 14%, saindo de 12,4 milhões para 10,5 milhões. A produtividade de sacas por hectare também deve sofrer com uma diminuição, segundo números levantados pela Gerência de Dados e Análises da Seag.>
A previsão de queda no número de sacas produzidas é causada, sobretudo, pelas mudanças climáticas. As alterações provocam longos períodos de estiagem, ou seja, falta de chuva, além de incidência de baixas temperaturas. Mesmo com as variações negativas, o Espírito Santo mantém-se como maior produtor nacional. >
Além de ser uma fonte de receita importante, o café é essencial na criação de postos de trabalho. A cada ano aumentam os investimentos em certificações, que promovem a preservação ambiental, melhores condições de vida para os trabalhadores, melhor aproveitamento das terras, além de técnicas gerenciais mais eficientes das propriedades, com uso racional de recursos. >
Enio Bergoli faz questão de lembrar que o Espírito Santo lidera a produção e a exportação dos cafés. Segundo o secretário, a depender da época do ano, influenciado pela estação climática e o ritmo da colheita, a produção do café chega a gerar 350 mil empregos diretos e indiretos. >
"O Brasil é o maior produtor e exportador de café desde sempre. E o 2º maior consumidor de café, muito próximo dos Estados Unidos. O processamento, a logística, a distribuição e as cafeterias, por exemplo, geram mais empregos", explica.>
Segundo o chefe da pasta que administra e monitora dados relativos ao café no Espírito Santo, são cerca de 200 mil empregos relacionados a pessoas que estão ocupadas com o grão dentro de uma propriedade e de forma fixa. O número aumenta em meses de colheita. Considerando as formas de produção após a colheita, como o trabalho no transporte do café ou até mesmo das cafeterias, o número pode chegar a 350 mil pessoas envolvidas.>
O total de pessoas envolvidas na produção do café é maior, por exemplo, que a população de Vitória, capital do Espírito Santo. Conforme publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2022, a população do município é de 322.869 pessoas. >
Cultivado há mais de um século no Espírito Santo, o café sempre teve importância na economia, seja no cenário da agricultura familiar, seja da grande indústria de exportação. Atualmente, as novas tecnologias permitem que o grão seja consumido de formas diferentes. O "expresso curto" é apenas uma das opções do café, que apresenta cada vez mais versatilidade.>
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