Embora tenha potencial para crescer, a participação do Espírito Santo no comércio internacional apresenta aspectos de estagnação e também de declínio. Um estudo feito por economistas do Ideies, intitulado “Exportações do Espírito Santo (1997-2007): concentração, vantagens comparativas e perspectivas”, abordado na coluna de Beatriz Seixas, traz graves advertências nesse sentido.
Números mostram retrocesso competitivo. Entre 1997 e 2001, o Estado respondia por 16% das exportações brasileiras de produtos de maior valor agregado, mas na década seguinte, entre 2012 e 2017, essa participação definhou para 9%, o que significa perda de espaço para estados que produzem os mesmos tipos de mercadorias. Também evidencia redução do ritmo de dinamismo da economia local.
Essa situação traz implicações perigosas para o Espírito Santo, estado com maior grau de abertura de sua economia para o exterior. A disputa no comércio mundial não se faz apenas pela quantidade de empresas buscando clientes, mas principalmente pela injeção de valor nos bens oferecidos. É ingrediente indispensável para avançar em resultados, inclusive abrir frentes de vendas em novos mercados. Há aproximadamente 20 anos, as exportações capixabas continuam concentradas (cerca de 60%) em apenas dez países – uma dependência excessiva, não recomendável.
A pauta de embarques no litoral capixaba tem alta concentração de commodities, isto é, matérias-primas, com baixo valor agregado. Apenas dez produtos – com destaque para minério de ferro, petróleo, aço, celulose, rochas ornamentais e café – somam o equivalente a cerca de 90% da receita das exportações pelo Espírito Santo. São itens sujeitos a muita volatilidade de preços no mercado internacional, fato que acaba se refletindo de forma acentuada no PIB estadual. No entanto, a maior perda está no volume de commodities vendidas ao exterior, que hoje é o mesmo registrado no final da década de 90.
O crescimento da competitividade do Estado exige reconfiguração da infraestrutura: remodelação de rodovias, construção da ferrovia ES-118, e implantação dos portos Central, em Presidente Kennedy, da Imetame, em Aracruz, e da Petrocity, em São Mateus. Mas também é fundamental ampliar e diversificar parcerias comerciais em todos os continentes. Muitos produtos têm potencial para isso.