Em tempos de polarização política, se há uma coisa que une esquerda e direita no Brasil é o populismo. Para angariar votos, poder ou vantagens, políticos brasileiros tomam decisões ou fazem promessas baseados não nos reais interesses de seus eleitores, de sua cidade ou do país, mas naquilo que vai soar melhor aos ouvidos da opinião pública ou dos grupos de pressão.
Exemplo recente é a aprovação por unanimidade do projeto de lei que garante anistia aos policiais militares envolvidos na greve de 2017 no Espírito Santo, que terminou com saldo de 219 mortos e prejuízos de R$ 300 milhões ao comércio. A bancada capixaba, que mais deveria conhecer as mazelas enfrentadas pelo Estado naqueles 22 dias, votou a favor do perdão aos paredistas.
Não importou que a greve seja vedada por lei aos militares ou que o STF tenha considerado o movimento ilegal. Ao aprovar a anistia, a bancada capixaba não levou em conta se contrariava políticas de Estado, o bom senso e até a Constituição. O que importa é manter-se como líder carismático, que entende as demandas do “povo”, essa figura abstrata que muitos deles, de fato, ignoram. A demagogia, como se vê, não tem coloração partidária.