Desde novembro de 2015, quando as atividades da Samarco foram suspensas após a maior tragédia ambiental da história do país, o tempo não tem sido generoso com o município de Anchieta. Aliás, conforme os meses e os anos foram passando, a cidade ficou entregue à própria sorte.
A constatação do drama vivido na região vem de todos os lados. Não faltam relatos desolados de quem mora ou trabalha no Sul capixaba, assim como não faltam números para reforçar o estrago que a interrupção da operação da mineradora vem causando e ainda vai causar por, no mínimo, mais um ano, já que as previsões mais otimistas indicam que em 2020 a empresa deve voltar a funcionar.
O dado divulgado na última sexta-feira pelo IBGE e pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), de que o PIB de Anchieta caiu 73,7% em 2016 na comparação com 2015, é a demonstração clara e nítida da dependência que o município criou com a companhia. O baque é assustador, mas não chega a surpreender, uma vez que já era sabido que, de todas as riquezas que eram produzidas pela cidade, cerca de 70% delas vinham das atividades ligadas à Samarco.
Como citei em julho, aqui neste espaço, o cenário pode ficar ainda mais hostil no ano que vem, tendo em vista que é em 2019 que as receitas de ICMS vão, pela primeira vez, refletir a total inatividade da companhia. A previsão da administração municipal é que a arrecadação com esse imposto seja da ordem de R$ 123 milhões, aproximadamente 60% menos do que os R$ 308 milhões arrecadados em 2015.
Este é um dado que há quase dois anos a prefeitura tem em mãos. O que tem sido feito para o momento em que essa bomba estourar, entretanto, não parece ser suficiente. Há riscos, por exemplo, de no próximo ano a arrecadação não garantir sequer o pagamento da folha dos servidores.
Claro que não dá para jogar toda a responsabilidade do que está acontecendo sobre o gestor público. A dependência que a cidade tem da Samarco não é uma obra do prefeito Fabrício Petri. Desde quando a unidade foi instalada em Ubu, há cerca de 40 anos, o município vive, principalmente, das receitas geradas pela mineradora e por suas empresas terceirizadas.
O que o drama da Samarco expõe é o quanto a falta de diversificação na economia local pode devastar uma região. E isso vemos acontecer por todo o Estado. Em Anchieta, a dependência está na Samarco; em Presidente Kennedy e Itapemirim, está nos royalties do petróleo; em municípios menores do interior, como Bom Jesus do Norte e Muqui, está nos repasses da União como via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), apenas para citar alguns.
As três situações exemplificadas acima são diferentes, mas em todas elas há um perigo latente para o desenvolvimento sustentado. O último caso, de dependência de transferências do governo federal, é um dos mais graves. Se olharmos os 78 municípios capixabas, em 46 deles cerca de um terço da receita corrente é proveniente do FPM. Um disparate! E uma lembrança que já passou da hora de o pacto federativo ser revisto. Tema para uma próxima coluna.
Voltando para o caso de Anchieta, desde que a planta em Ubu está inoperante, tirando algumas ações da prefeitura de corte de despesas com custeio, não houve uma iniciativa forte no município para repensar a cidade e buscar alternativas para a recuperação econômica. Em 2017, um grupo empresarial chegou a tentar organizar um fórum com esse objetivo, mas concretamente, não há resultados até o momento.
A sensação que fica é que o município vive da esperança de que em breve as usinas da mineradora serão religadas e aí tudo vai se resolver, os empregos vão voltar a aparecer e o dinheiro vai voltar a circular. A torcida é realmente para que isso aconteça, mas depositar todas as fichas na própria Samarco é ignorar o que está acontecendo no presente e desdenhar o futuro. O município, assim como outras cidades do Sul, tem um grande potencial, mas isso de nada adianta se não for bem explorado.
Rumo aos 100 mil
Nos últimos dias, a Bolsa de Valores vem encostando nos 90 mil pontos, mas para quem acompanha o mercado, há espaço para ultrapassar o patamar dos 100 mil. Paulo Henrique Corrêa, da Valor Investimentos, acredita que para isso basta o novo governo emplacar uma agenda econômica positiva (leia-se reforma da Previdência) nos seis primeiros meses.
Permanência estratégica
Mesmo com a mudança de governo, o comando da Arsp continuará com Julio Castiglioni, que fica no cargo até agosto de 2019. Tradicionalmente, o mandato da agência reguladora não coincide com o do Executivo. Um alívio considerando que há um tema complexo sendo acompanhado de perto pelo diretor-presidente, que é a criação da empresa de gás. A continuidade do processo é importante para o sucesso do negócio.
Turbulência
Poxa, logo neste ano que a Avianca estreou operações aqui no Estado e ampliou o número de voos em Vitória, a companhia aérea entrou em recuperação judicial. Vamos combinar que o ES não tem muita sorte nessa área, né?
Distorções da lei
Uma rede de fast food resolveu radicalizar depois que os canudos de plástico foram proibidos no Estado. Simplesmente não os oferece mais para o cliente. Uma placa avisa e justifica com o número da lei (10942). Claramente a empresa aproveitou para economizar, já que no caso do milk shake há o fornecimento do canudo biodegradável. Para as demais bebidas, nadica de nada!
Negócios globais
Empresas de países como Bulgária, Espanha, Itália, China, Coreia do Sul e Portugal já confirmaram presença na Vitória Stone Fair, que vai acontecer em fevereiro de 2019. Com a expectativa de recuperação da economia no próximo ano, empresários estão otimistas para os negócios que estão por vir.
Novo “visu”
O Banestes vai dar um tapa no visual e no conceito de suas agências. A primeira a seguir esse novo modelo é a unidade que será inaugurada na próxima terça-feira no Shopping Vitória. A promessa é por mais conforto e eficiência. Vamos cobrar!
Na Lata
Perfil

Empresa: Wine
No mercado: Há 10 anos
Negócio: Varejo eletrônico
Atuação: Em todo o Brasil
Funcionários: 400
Jogo rápido com quem faz a economia girar
Economia: Será um novo momento para o país, com um novo ciclo e boas oportunidades.
Pedra no sapato: A infraestrutura logística brasileira.
Tenho vontade de fechar as portas quando: Um cliente fica insatisfeito.
Solto fogos quando: Um cliente está feliz.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...: Trabalharia para transformar o vinho em um produto mais alimentar. Hoje, ele tem ainda uma concepção muito forte de bebida alcoólica.
Minha empresa precisa evoluir: Na participação offline, ou seja, estar mais próxima do cliente na vida real.
Se começasse um novo negócio seria...: A Wine novamente, sem sombra de dúvidas.
Futuro: Para o país vejo como muito promissor e mais sólido. Para a empresa, meu desejo é replicar o modelo da Wine em outros países.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro: O britânico Richard Branson, que é o CEO do grupo Virgin. Ele conseguiu aplicar nas empresas dele um equilíbrio entre crescimento, inovação e qualidade de vida para ele e seus colaboradores.