Não foi por falta de aviso. Serviços de meteorologia vêm alertando desde a semana passada que as chuvas seriam intensas. Quando as águas caíram, acumulando 172 milímetros em 24 horas só em Vitória, o caos se instalou. Foi muito mais do que o previsto para o mês inteiro. Resultado: a Região Metropolitana praticamente submersa, como inúmeras outras vezes. Mas essa triste rotina não pode ser motivo para aceitar a situação.
E com agravantes: em Vitória, até mesmo regiões com pouco histórico de alagamento, como a Praça Costa Pereira e o Parque Moscoso, no Centro, foram bastante afetadas. As cenas da enxurrada no Morro da Piedade, formando um rio na Rua Sete, são impressionantes.
As três estações de bombeamento da Capital não conseguiram dar conta do volume de água, mesmo com a maré baixa. No início da tarde, quando as chuvas deram uma trégua, o escoamento em regiões como a Ilha de Santa Maria foi prejudicado pelo lixo nos bueiros. Sabe-se que o descarte irregular interfere em todo o sistema de drenagem, e a sociedade tem certa responsabilidade. Mas a sua desobstrução deveria ser uma rotina, principalmente quando há alertas meteorológicos.
Os demais municípios da Grande Vitória tampouco foram poupados. Vila Velha ficou isolada pelas águas durante toda a segunda-feira. Inaceitável. O Canal Bigossi transbordou (mais uma vez!), e o sistema de bombeamento na estação do Sítio Batalha simplesmente não funcionou, após uma pane provocada pela própria chuva. Falha gravíssima. O sistema de drenagem quebra justamente no momento necessário... A administração pública deve estar constantemente atenta à manutenção desses equipamentos, por não se saber quando serão demandados.
A força da natureza é imponderável, mas os danos podem ser reduzidos com planos de contingência, com planejamento. Segundo o Climatempo, está sendo o mês de abril mais chuvoso desde 2011. Pode ser incomum, mas não isenta o poder público de suas responsabilidades.