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Praça Oito

Aeroporto inaugurado. Ponte queimada

A tão aguardada inauguração do novo Aeroporto de Vitória foi marcada por duas grandes surpresas

Publicado em 29 de Março de 2018 às 21:48

Públicado em 

29 mar 2018 às 21:48
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

A tão aguardada inauguração do novo Aeroporto de Vitória foi marcada por duas grandes surpresas. A primeira é que o avião da FAB que trouxe Michel Temer não aterrissou na nova pista, onde era esperado, mas na antiga. A segunda, e maior de todas, está mais para uma possível “arremetida política”. O governador Paulo Hartung (PMDB), logo ele, maior autoridade política capixaba, não compareceu ao evento de inauguração. Deu um bolo no presidente da República em pessoa. E, depois, nenhuma satisfação. Até agora, Hartung não se deu o trabalho de apresentar nenhuma justificativa oficial, direta e objetiva, para sua ausência. Não foi e pronto. “Vivam com isso”.
Notem que não estamos falando de um evento qualquer. Não é inauguração de pinguela, barragem, campo de várzea. Foi “só” a entrega mais importante de um equipamento logístico para os capixabas, governados por Hartung, desde a Terceira Ponte. Uma tia-avó dele poderia ter falecido em Guaçuí que, ainda assim, sua ausência chamaria atenção. Sem pretexto plausível, mais ainda. O que, afinal, pode explicar essa atitude tão surpreendente?
Na pista das especulações, a biruta da coluna aponta para duas explicações possíveis. A primeira é a indisfarçável rivalidade política entre PH e a senadora Rose de Freitas, a qual nos últimos dias manifestou-se no duelo particular entre ambos pelos méritos e pela condição de principal responsável pela concretização da obra. Enquanto Rose emendava reuniões nos ministérios e textos para a imprensa divulgando suas ações, o governo estadual chegou a espalhar outdoors dizendo “Novo Aeroporto de Vitória: aqui tem governo do Estado”.
Habituado a brilhar sozinho, possivelmente Hartung não se sentiria muito à vontade sendo forçado a dividir o palco, os louros e as glórias com Rose e, de quebra, com outro desafeto, o prefeito de Vitória, Luciano Rezende – ambos, por sinal, estavam efusivos. Por isso, a metros da pista, Hartung arremeteu.
Mas isso ainda explica pouco. Os ventos especulativos também sopram a biruta da coluna para a direção de Brasília, onde, na manhã de ontem, poucas horas antes do embarque de Temer para Vitória, foi deflagrada a Operação Skala, que atingiu em cheio aliados do presidente (e, indiretamente, o próprio Temer). Afinal, que outro fato político novo ocorreu a ponto de justificar essa reviravolta na programação de Hartung?
Na operação, a Polícia Federal prendeu temporariamente pessoas investigadas, ao lado do próprio Temer, no chamado “inquérito dos portos”. Por isso, uma possível resposta para a atitude de Hartung é a que interliga os dois fatos: o governador teria evitado pousar (e posar) ao lado de Temer bem na manhã em que a Polícia Federal apertou o cerco contra o presidente, arranhando ainda mais a sua já desgastada imagem. É provável que Hartung tenha evitado ter sua figura associada à de Temer logo em um dia crítico para o próprio presidente, embora excelente para o Espírito Santo. Quis evitar, enfim, o “contágio político” ou a “transferência de desgaste”.
Essa leitura foi reforçada pelo próprio Hartung. Às 15h30, a assessoria do Palácio Anchieta divulgou uma nota assinada pelo governador. Sobre as razões de sua ausência, a nota na verdade nada acrescentou e não trouxe nenhuma explicação. Hartung limitou-se a registrar sua opinião sobre a Operação Skala, o que reforça a linha interpretativa de que os dois fatos estão relacionados e de que Hartung quer mesmo se dissociar de Temer: “(...) ressalto que os episódios políticos sucessivos e graves dessa natureza têm prejudicado o país e a economia, trazendo prejuízos sociais com impacto direto na vida das pessoas, particularmente os mais pobres”, assinalou PH.
Vale frisar que, pouco antes, no aeroporto, Temer e seu braço direito, Eliseu Padilha – também alvo do “inquérito dos portos” –, faziam justamente o contrário: discursavam em defesa do legado do atual governo e da recuperação econômica proporcionada por suas medidas.
Tamanha desfeita pode ser interpretada como um gesto de rompimento de Hartung, se não com o PMDB, sem dúvida com “esse PMDB” que está no comando do partido e do país. O problema (para todos nós) é o seguinte: independentemente de qualquer diferença política com outros caciques locais e de ressalvas éticas ao comportamento dos caciques nacionais, Hartung é, antes de tudo, chefe de Estado e representante dos capixabas. Ontem, não pareceu agir como tal. Sua atitude, pelo menos, não condisse com a posição que ocupa.
Não foi postura republicana, tampouco de um autêntico estadista. E pode prejudicar os capixabas no relacionamento com o governo federal. Ontem, por exemplo, Temer assumiu alguns compromissos com o Espírito Santo. Após submeter o presidente da República a tamanha descortesia, Hartung estará em condições de lhe cobrar o cumprimento das promessas, em nome do povo capixaba? E mais: estará Temer disposto a receber quem se negou a recebê-lo? Na inauguração do aeroporto, Hartung pode ter queimado a ponte aérea com o Planalto. E, numa atitude isolada, pode acabar isolando ainda mais o Estado.
HE DID IT HIS WAY
Pouco antes da entrada de Temer no local da cerimônia, à qual Paulo Hartung faltou sem dar satisfações, a banda da PMES executou o hit de Frank Sinatra com o refrão “I did it my way”. Em livre tradução, “eu fiz do meu jeito”. Pareceu a voz do governador, à distância, tripudiando das autoridades presentes.
NÃO FALTOU BOLO
Na entrada do aeroporto, logo após superar o detector de metais, os convidados eram agraciados com uma mesa de bombons da conhecida empresa capixaba de chocolates. Bolo inaugural não tinha. Paulo Hartung tratou de garanti-lo.
ROSE DE FREIRAS
Mostrando uma faceta religiosa (e um pouco performática), Rose presenteou Temer com um terço, que, segundo ela, pertencia à sua mãe. Antes, foi às lágrimas e se disse muito emocionada.
DIVA SEM CONCORRÊNCIA
Na ausência de Hartung (estrela que não saiu do camarim), Rose foi uma diva solitária. Venceu por W.O. a disputa íntima com o governador por protagonismo no aeroporto e transformou a cerimônia em um espetáculo solo.
SOBROU PARA COLNAGO. DE NOVO
Vamos ver se entendemos corretamente: Hartung não pode se permitir dividir o palanque com Temer, para evitar o “contágio”. Mas Colnago pode? O vice virou uma espécie de escudo e pau pra toda obra do governador. Basta lembrar a prestação de contas na Assembleia em 2017, em momento tenso para PH.
COLNAGO É LELO DA VEZ
Quando Hartung recebeu Temer na Residência Oficial em dezembro de 2015, logo após o impeachment de Dilma, coube a Lelo Coimbra dar a versão pueril de que Temer só tinha vindo comer moqueca com Hartung. Agora que o governador fez questão de não receber Temer, Colnago assumiu a tarefa de dar uma desculpa qualquer. Segundo Rose, ao ser questionado por ela sobre a ausência de Hartung, Colnago lhe disse que o governador tivera “indisposição”.
PORÉM, TODAVIA...
Em almoço logo após o evento, uma fonte da coluna ouviu o vice-governador admitir que Hartung faltara por causa da Operação Skala.
LELO SAUDOU ROSE
Por falar em Lelo, apesar das rixas com Rose no PMDB, o presidente estadual do partido reconheceu o empenho dela na pauta do aeroporto: “Destaque específico e parabéns à senadora Rose de Freitas”.
ROSE SAUDOU HARTUNG
Por sua vez, Rose declarou à coluna que não vê o aeroporto como vitória pessoal, mas como conquista coletiva do Estado. E citou a participação do governador.
A BORDO COM TEMER
Além dos cinco ministros de Estado, três integrantes da bancada federal capixaba vieram com Temer de Brasília no avião da FAB: o senador Ricardo Ferraço (PSDB) e os deputados federais Lelo Coimbra (PMDB) e Marcus Vicente (PP).
O MUNDO DE MAGNO
Magno Malta (PR), o senador do Espírito Santo menos interessado nos interesses do Espírito Santo, não fez nem menção de comparecer ao evento. Alguém notou ou sentiu falta?
 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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