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Opinião da Gazeta

Aeroporto de Vitória ainda não decolou

É preciso cobrar as responsabilidades pela iluminação deficiente que tem aumentado a insegurança no acesso ao terminal

Publicado em 17 de Outubro de 2018 às 23:27

Públicado em 

17 out 2018 às 23:27
Ricardo Medeiros

Colunista

Ricardo Medeiros Ricardo Medeiros
Patinador passa na calçada; ao fundo, pontos de escuridão na ciclovia Crédito: Ricardo Medeiros

Com quase sete meses de funcionamento, o novo Aeroporto de Vitória ainda não conseguiu atingir a plenitude que a população espera. É inconcebível, mas a obra que se arrastou por 16 anos ainda encontra obstáculos indiretos que, pela demora para serem superados, chegam a parecer intransponíveis, quando não deveriam ser. É o caso da iluminação insuficiente no acesso ao terminal, que vem fazendo crescer a sensação de insegurança de quem transita pela região.

As pendências imediatamente começaram a aparecer assim que foi inaugurado. De antemão, houve uma demora de semanas para a reorganização do trânsito na Adalberto Simão Nader, com remodelações essenciais para garantir o fluxo deixadas para a última hora. O atraso foi inevitável, como se as mudanças no tráfego não fizessem parte do pacote da infraestrutura necessária para o funcionamento do aeroporto. Faltou sincronia da administração municipal com o cronograma das obras do governo federal. E nem dá para reclamar que foi surpreendida, pois além de a obra ter se arrastado por bem mais de uma década, houve plena divulgação de quando o terminal finalmente seria entregue.

O caso é que, agora, ninguém se responsabiliza pela má iluminação do entorno do aeroporto: a Prefeitura de Vitória informa que cabe à Infraero a iluminação pública na área, que é propriedade da estatal, enquanto o órgão se justifica com a existência de um acordo de cooperação técnica, ainda em tramitação entre as partes, para regular a questão. É um impasse que não pode existir: enquanto batem cabeça, deixam a população no escuro, metafórica e literalmente.

É lamentável que, tantos meses após a inauguração, ainda seja necessário fazer cobranças tão elementares. Há reclamações também sobre a sinalização ineficiente. A população, com medo, não pode ficar também refém da apatia do poder público. O Aeroporto de Vitória não se limita ao terminal (é bom lembrar que pousos ainda não são realizados na pista nova, um absurdo!); o entorno faz parte da composição e também precisa de cuidados, uma regra básica do urbanismo.

Ricardo Medeiros

Ricardo Medeiros Ricardo Medeiros

É repórter-fotográfico de A Gazeta desde 2000. Antes, atuou no Jornal Hoje em Dia (MG), de 1989 a 1993.

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