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A visão de um liberal contrário à privatização do Banestes

O economista e ex-presidente da instituição Guilherme Dias diz que banco apresenta bons resultados e não deve ser vendido

Publicado em 23 de Setembro de 2018 às 07:42

Públicado em 

23 set 2018 às 07:42
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

Guilherme Dias foi presidente do Banestes de maio de 2013 a janeiro de 2017 Crédito: Ricardo Medeiros - GZ
“Não importa a cor do gato, o que importa é que ele cace os ratos.” Foi parafraseando o líder chinês Deng Xiaoping, o responsável por promover nas décadas de 80 e 90 reformas econômicas que levariam a China ao posto de 2ª maior economia do planeta, que o economista Guilherme Dias iniciou a conversa com a coluna sobre uma possível privatização do Banestes.
Para ele, assim como o dirigente máximo do país asiático justificava aos comunistas que a abertura de mercado era válida, desde que o resultado representasse crescimento e melhoria de vida do chinês; no caso no banco estadual, o que importa é que a instituição tenha um sistema financeiro que contribua para o desenvolvimento, para a oferta de crédito e produza bons resultados, independentemente se é gerida pela iniciativa pública ou privada. 
 
Na última quinta-feira, A GAZETA estampou em sua capa a proposta da Findes – registrada em um documento com as agendas defendidas pela indústria e entregue aos candidatos do ES – de que o banco estadual fosse vendido para uma empresa privada. O tema virou pauta e repercutiu entre políticos, empresários, trabalhadores e sindicalistas.
Em meio a tantas opiniões divergentes, Guilherme Dias – que foi presidente do Banestes, de maio de 2013 a janeiro de 2017, e é conhecido por sua visão liberal – dividiu suas considerações do porquê não faz sentido mudar a gestão do banco de mãos. Logo de cara, foi taxativo ao dizer que, dentro do contexto atual, a proposta de vender o Banestes é tão simplista como a de manter o controle estatal exatamente como é hoje.
Para o economista, a justificativa de quem defende a privatização é meramente ideológica, uma vez que os argumentos não se sustentam. “E me sinto muito à vontade de dizer isso porque eu já participei de vários processos de privatização no governo federal, como de siderúrgica e de petroquímica. Como tese sou favorável a privatizar. Não estou mudando de ideia. Mas acredito que isso não tem que ser um posicionamento absoluto. Cada situação deve ser analisada de uma maneira e não vejo razões para vender uma instituição que há 15 anos dá lucro e distribui dividendos de forma recorrente, contribuindo positivamente com o orçamento estadual”, rebateu ao lembrar que, em 2017, o lucro do banco foi de R$ 175 milhões.
Dias, que já foi ministro do Planejamento na reta final do 2º mandato de Fernando Henrique Cardoso, também discorda que a venda garanta mais recursos para investimentos em setores estratégicos, como o de infraestrutura. “Vender um ativo e gastar não cria uma capacidade de investimento sustentável. Pelo contrário, até induz ao oposto. E, na prática, é também duvidosa a capacidade do governo de executar obras de infraestrutura de forma eficiente, basta constatar a novela que é a execução de alguns projetos.”  
 
Por que não privatizar, na visão de Guilherme Dias:
1 - O desempenho econômico financeiro do Banestes está na média do setor. O banco é lucrativo e competitivo.
2 - Vai aumentar a concentração bancária que hoje já é muito grande, além de reduzir a oferta de crédito local.
3 - O valor do ativo não cria capacidade de investimento sustentável nem dá garantias de que o dinheiro será bem aplicado.
“Ser um dos 5 bancos regionais é um elogio!”, diz Guilherme Dias
Um dos argumentos para a privatização é que o Banestes é um dos poucos bancos estaduais do país e acaba sendo engolido pelos grandes. Concorda?
Os cinco bancos estaduais que existem só continuam operando justamente porque conseguem competir com os grandes. Hoje as regras de regulação bancária são exatamente as mesmas e a portabilidade de conta salário eliminou o monopólio das folhas de pagamento. Ninguém é obrigado a ser cliente de um banco estadual! Só o faz porque enxerga benefício. Portanto, o argumento de que somente sobraram cinco estaduais na verdade é um elogio aos sobreviventes!
Outra justificativa é que falta escala ao Banestes.
Esse argumento é falacioso e não guarda correspondência com a experiência internacional. Banco não é siderúrgica! Em que os requisitos de escala são absolutos. E mais: nas economias mais desenvolvidas o grau de concentração bancária é menor que no Brasil e há diversidade de bancos quanto a tamanho e território de atuação. A concentração bancária no Brasil, que já era grande, aumentou 20 pontos percentuais nos últimos 10 anos. Na prática, o efeito de vender o Banestes a um dos cinco grandes bancos significa aumentar a concentração bancária no mercado regional.
Vender o banco pode afetar a oferta de crédito local?
Sem dúvida. Afinal, os bancos privados nacionais atuam no mercado local basicamente captando recursos para emprestar em outras praças. A participação dos bancos privados na captação de recursos é mais que o dobro da participação no mercado de crédito. Isso demonstra que as instituições privadas usam o mercado capixaba para captar as poupanças financeiras locais e direcionar o crédito para outras regiões. O oposto fazem os bancos oficiais: emprestam aqui mais do que captam no mercado local.
Em lado oposto de quem defende a privatização está quem defende manter o controle acionário como está. Isso também não é ruim?
Também discordo desta visão, pois ela está ultrapassada e embute um risco permanente.
Qual é o maior risco?
Como não há país ou Estado que esteja imune a governantes irresponsáveis, há o risco de nomeação de gestores incompetentes, de natureza política ou simplesmente inadequados. Associado a este risco, a possibilidade do banco ser levado a executar uma política de crédito irresponsável, por exemplo.
Como reduzir os riscos políticos?
O controle compartilhado passaria por medidas, como: aumentar o percentual de ações do Banestes negociados na Bolsa de Valores. O Tesouro Estadual, que hoje tem 92% das ações, bastaria ter 50,1% para manter o controle acionário. O Banco do Brasil e o Banrisul já trilharam este caminho faz tempo. A maior exposição ao acionista privado por si só já levaria a maior cobrança por desempenho e governança eficientes. Além disso, um ponto em que poderia haver um avanço é passar a garantir que a composição do comitê de elegibilidade seja paritária entre os controladores e membros dos minoritários ou independentes, e que tenham poder de vetar indicações não adequadas.
PUXÃO DE ORELHA
O senador e candidato ao Senado Ricardo Ferraço (PSDB), que participou na última quinta de debate na Findes, criticou a participação de empresários na política. “Eu sinto no mundo empresarial muita omissão. Sinto vocês conversando com vocês mesmos e não trabalhando para converter quem não está convertido. O pior dos pecados neste momento é a omissão ou achar que as coisas vão se resolver por gravidade.” Na plateia, teve quem vestiu a carapuça.
A TOQUE DE CAIXA    
 
Ainda no evento da Findes, Ricardo Ferraço conversou com a coluna sobre o imbróglio da ferrovia Vitória-Minas. Para o parlamentar, a concessão antecipada não vai acontecer ainda no governo Temer. Ele, que classificou a atuação da União e da Vale como traição, disse que esse processo está acontecendo de modo atropelado e não vê chances de ir para frente em 2018. Segundo ele, melhor assim! 
 
UM BRINDE AOS NEGÓCIOS
A capixaba Wine, maior e-commerce de vinhos da América Latina, planeja abrir em cinco anos 100 lojas físicas no país.
PESQUISA SAUDÁVEL
Leitora da coluna conta que foi comprar remédio e, ao se surpreender com o elevado preço, decidiu pesquisar o valor do medicamento em outras duas farmácias, todas na Avenida Expedito Garcia, em Cariacica. Resultado: encontrou um R$ 90 mais barato!! A saúde e o bolso agradecem.
PARADA PROGRAMADA
A plataforma da Petrobras P-57, que atua no Parque das Baleias, no Litoral Sul capixaba, não está operando. Desde o último dia 14, a embarcação está em sistema de parada programada para manutenção. A previsão é que o processo dure cerca de 15 dias.
MENOS ÓLEO
Com a interrupção das atividades, a produção de petróleo do ES tende a cair no mês de setembro. O que, de acordo com a estatal, não deverá impactar no abastecimento ao mercado, uma vez que a operação faz parte do planejamento da companhia.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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