O eleitor tem um grande desafio neste ano: identificar e denunciar fake news. São notícias falsas construídas a partir de interesses escusos com objetivo de enganar o público, e difundidas em alta velocidade, por meio das redes sociais.
A prática tem impacto mundial. Foi episódio recorrente no Reino Unido em 2016, teria ajudado com engodos a eleição de Trump e, na França, é investigada como onda caluniosa contra Macron.
No Brasil, a perspectiva de que as campanhas para presidente da República, governador, Congresso (Senado e Câmara) e deputados estaduais podem ser envenenadas por mentiras motivou a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal a criarem forças tarefas para reprimir e punir fake news – cujo potencial de efeitos nocivos ao processo democrático é muito alto. Disseminação de engodo é investimento de desonestos contra o jornalismo compromissado com a ética e a verdade, cada vez mais relevante para a sociedade.
Um dos primeiros indiciamentos de brasileiros por fake news ocorreu há poucos dias, e foi no Espírito Santo. Um empresário tornou-se alvo da Polícia Federal por divulgar “pesquisa eleitoral fraudulenta e causar embaraço ao livre exercício do sufrágio ”na véspera do pleito de 2014, criando uma página falsa que imitava o Gazeta Online. Infelizmente, só agora houve o indiciamento. A propagação da inverdade não foi contida. A investigação é lenta devido à pluralidade de fontes a checar.
O uso de robôs na internet para identificar conteúdo inverídico está em discussão no Exército, na Agência Brasileira de Inteligência e na Polícia Federal. Quanto mais tecnologia melhor, mas apesar dos esforços, é utópico crer no estancamento de mensagens capciosas. É preciso que sejam percebidas e denunciadas imediatamente pelos cidadãos visando a reduzir ao máximo a repercussão.