O charmoso ex-presidente Juscelino está por trás, pela frente, embaixo e em cima dessa chantagem empresarial que levou o país a um bloco carnavalesco sem enredo.
Em um surto narcísico, anunciou seus megalomaníacos “50 anos em cinco”. Olha que, ao contrário de Lula, analfabeto feliz, e Temer, analfabeto funcional, JK poderia ter evitado as catástrofes que cometeu. Escondido no deserto chamado Brasília convocou funcionários públicos para ganhar em dobro e morar lá. O importante era colocar o poder fora do alcance dos protestos no Palácio do Catete, no Rio. O “Presidente Bossa Nova” deu franca partida à inflação galopante. Tijolos eram transportados de avião. Fabricou um lago. Tudo com o nosso dinheirinho.
Aproveitando-se da famosa ignorância da grande maioria de nós, para dar entrada às industrias estrangeiras, fantasiadas de brasileiras, destruiu literalmente a malha ferroviária do país. Minha senhora, o que um trem carrega, 100 caminhões ou 200 ônibus não o fazem. Lembra da eficiente estatal Companhia de Navegação Costeira? Este país possuía este sistema em quase todos portos na imensa extensão de sua costa, que foram desativados em sua maioria.
Como sabemos, os mandantes do Brasil neste exato momento são na grande maioria incompetentes, entre outras qualificações. JK, ao construir sem necessidade uma cidade que funciona – funciona? - de terça à quinta para promover festas de Ali Babá, inaugurou a orgia política. E haja imposto para sustentar.
A senhora lembra do movimento popular “O Petróleo é Nosso”, no tempo do Getúlio? Não achavam petróleo no Brasil, até que começaram a procurar. A manipulação de preços vem de fora até hoje. A América foi feita para os americanos. Do Norte.
Mandato após mandato fica óbvio o que querem os presidentes deste país: garantir direta ou indiretamente a reeleição. E no lugar de técnicos necessários, acumulam cabos eleitorais de todas as espécies.
Os argumentos dos representantes de araque são conversa fiada. Neste instante, constatamos que a mínima desordem, como o locaute, denuncia a impotência dos governos.
Um especialista em ferrovias estimou que são 15 anos para a reposição da malha ferroviária. Melhor do que o nada que fazem. A maioria dedica-se a organizar a própria reeleição, organizar a quadrilha.
O sistema não permite renovação. Em todos os poderes é de fazer chorar constatar que o sistema privilegia os descendentes em todas as funções de mando, agregando os absurdos salários e mordomias.
No fundo, não saímos do primeiro reinado.
*O autor é médico psiquiatra, psicanalista e jornalista