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Vitor vogas

A marca do PSD na política

Até Max Filho subiu no palanque comunista para discursar no evento de filiação de Givaldo Vieira ao PCdoB. Ele está de saída do PSDB, mas ainda compõe os quadros do partido

Publicado em 16 de Março de 2018 às 22:22

Públicado em 

16 mar 2018 às 22:22
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Crédito: Amarildo
Uma “notícia” publicada na internet, investigada pela Polícia Federal na Operação Voto Livre, sobre uma suposta pesquisa eleitoral não registrada foi só a mais leve das escorregadas do PSD nos últimos dias. A legenda, imersa em uma agenda negativa criada por ela mesma, tem protagonizado os mais recentes maus exemplos da prática política no Espírito Santo.
O partido contratou uma pesquisa eleitoral, para consumo interno, cuja divulgação é proibida. O presidente da agremiação, Neucimar Fraga, vê um link circulando com referências a uma suposta “pesquisa interna do PSD” e qual a providência toma? Joga a informação para a frente, via WhatsApp. Se não houve má-fé, temos que falar em contraditória imprudência de uma raposa política.
Tudo estaria muito bem se todos os deslizes fossem desse grau de “periculosidade”. O problema é que não foram.
A presidente da Câmara do município mais populoso do Estado, Neidia Pimentel (PSD), acaba ser afastada da função por decisão da Justiça. O motivo: “indícios suficientes” de fatos “graves” que indicam crime de concussão na Serra. Neidia já era denunciada por rachid, prática que, de tão mesquinha, torna difícil acreditar que detentores de mandato ainda recorram a ela.
Outra marca deixada pelo PSD nas más práticas políticas está em Fundão. Anderson Pedroni (PSD) acaba de se tornar réu. Fez, segundo a promotoria, nada menos que oferecer R$ 15 mil para tentar comprar voto de vereadores. Queria ser bem sucedido na empreitada para derrubar um revés, tentar limpar a própria barra na Justiça e, em seguida, assumir a prefeitura.
Os esquemas nas duas cidades, segundo as investigações, tiveram ativa participação de Flávio Serri, também réu. Ninguém menos que o presidente do PSD da Serra.
Não há condenações, é verdade. Mas é preciso reconhecer que, em um cenário de ruína da credibilidade dos partidos políticos, é até perda de tempo discutir o “parecer honesto” como obrigação.
Aparentemente, o que acontece nas paróquias políticas do PSD no Estado é só o reflexo dos princípios que nortearam a criação do partido. Ou melhor, da falta deles. Em 2011, Gilberto Kassab conseguiu a proeza de sair do DEM, oposição ao governo Dilma Rousseff, para, com um partido para chamar de seu, repousar no Ministério das Cidades do governo.
Em 2016, 27 dos 39 deputados federais do PSD estavam votando pelo impeachment e erguendo o governo Temer, do qual Kassab também morderia um ministério, o da Ciência e Tecnologia. Governismo profissional!
E assim caminha a desconexão dos partidos políticos com a realidade e com o futuro do Brasil.
Mudança que não muda
A convenção do PDT da Serra, realizada hoje, deve marcar a saída da ex-deputada Sueli Vidigal da presidência do diretório. Mas o que não muda é o controle do deputado Sérgio Vidigal sobre o partido. O novo presidente será o indicado por ele. A tendência é que o escolhido seja o subsecretário estadual de Direitos Humanos, Alessandro Comper.
Fechado com o governo
A convenção do PDT está sendo pensada para marcar uma boa sintonia entre Vidigal e o governo Hartung. Figuras do primeiro escalão confirmaram presença, assim como líderes de PSDB, PTB, DEM e PRB.
Tudo ou nada
A reeleição de Givaldo Vieira virou prioridade do PC do B. Se bem sucedida, pode aumentar a relevância do partido no Estado e acolher novas lideranças. Mas, se der errado, até comunistas dizem que seria “uma vergonha”.
Orelha a orelha
A deputada Jandira Feghali, uma das comprometidas com a oposição a Temer, encheu Givaldo Vieira de elogios, ontem. Definiu o ex-petista como homem “de imensa formulação”, que vai “enriquecer” e até “oxigenar” o trabalho da bancada. Givaldo era só felicidade.
Aquecimento
O secretário estadual de Direitos Humanos, Júlio Pompeu (PDT), fará parte da segunda turma do curso de formação de lideranças políticas do movimento RenovaBR. Pompeu é pré-candidato a deputado. Ainda decide se disputará vaga na Assembleia Legislativa ou na Câmara Federal.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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