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Evandro Milet

A história do Brasil empreendedor começa com os índios

O empreendedorismo é característica marcante na trajetória do povo brasileiro, não só no interior, mas até com os indígenas

Publicado em 25 de Maio de 2018 às 10:49

Públicado em 

25 mai 2018 às 10:49
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

Em “História da Riqueza no Brasil”, Jorge Caldeira subverte grande parte da nossa história, desde as noções básicas até a argumentação usada nas obras de Caio Prado, Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
Caldeira inovou ao utilizar a econometria, possível agora com a informatização de dados antes dispersos em arquivos em papel, como os de vários censos realizados no país. Os números mostraram um Brasil diferente do que conhecíamos. A noção de que o Brasil colônia dependia da exportação de açúcar e no interior predominava a economia de subsistência cai por terra com os novos números. Havia no interior uma economia pujante, correndo fora dos registros oficiais e, portanto, do pagamento de impostos, capaz de gerar excedentes e permitir a acumulação de riqueza. Por esse motivo a economia colonial era, no final do século XVIII, muito maior que a de Portugal.
Mapa do Brasil no Período Colonial Crédito: Reprodução
O empreendedorismo é característica marcante na história do povo brasileiro, não só no interior, mas até com os indígenas. Ao longo de toda a costa, os tupi-guarani foram parceiros, inicialmente trocando pau-brasil, valiosíssimo na Europa, por instrumentos de ferro que os indígenas não conheciam. A derrubada de uma árvore podia demorar um décimo do tempo com as novas ferramentas. Essa relação foi ampliada pelo costume dos tupis, onde os filhos saíam para se casar com mulheres fora da taba e as mulheres permaneciam, atraindo parceiros de fora, o que provocou grande número de casamentos de índias com portugueses e selou uma parceria que durou muito tempo.
Até 1973, o país era a economia que mais crescera no mundo nas oito décadas anteriores. O crescimento do peso do estado no PIB, descontrolado durante a ditadura militar, desaguou na década perdida de 1980 e nos persegue até hoje
Em vários trechos, o livro ajuda a compor o quadro do porquê da diferença de desenvolvimento entre o Brasil e Estados Unidos, considerando que, em 1800, os dois países se equivaliam em população e tamanho da economia. Uma das causas foi o analfabetismo resolvido lá e aqui não durante o século XIX. Outras causas foram a ausência de universidades e tipografia no país, onde não circulavam livros, até a vinda da família real, em 1808.
E, por fim, a estagnação da economia durante o Império, com a manutenção da escravidão e os entraves ao desenvolvimento do capitalismo, sufocado pelo peso do governo nas relações do mercado. Isso fica evidente nas primeiras medidas da República, liberando a economia e provocando um crescimento espetacular do país.
Até 1973, o país era a economia que mais crescera no mundo nas oito décadas anteriores. O crescimento do peso do estado no PIB, descontrolado durante a ditadura militar, desaguou na década perdida de 1980 e nos persegue até hoje.
Caldeira escreveu um livro que já pode ser considerado um clássico.
*O autor é consultor, membro do Conselho de Administração do Ibef/ES
 

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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