A importância dos imigrantes na cultura de um país é tão grande que se reflete até nas seleções nacionais que disputam a Copa de Futebol na Rússia. O que seria da seleção da França, da Bélgica, da Suécia e da Inglaterra, quatro dentre as oito finalistas, sem a presença dos jogadores africanos, que trouxeram força, criatividade e brilho ao esporte bretão?
Portugal acaba de reconhecer a importância desses imigrantes ao conceder cidadania a dez mil deles que já vivem e trabalham no país, dentre os quais a maioria formada por brasileiros. É claro que Itália, Grécia e Turquia já não sabem mais o que fazer com tantos imigrantes que chegam em barcos da África, da Síria ou do Afeganistão. Alguns países como Áustria, Polônia, Hungria recusam até a passagem deles por sua terra, nem eles querem ficar ali, pois sonham com a Alemanha, o Reino Unido ou os países escandinavos, onde poderão trabalhar e viver com dignidade.
Por aqui, tivemos a imigração em massa de haitianos pelo Acre e de venezuelanos por Roraima, o que afetou a vida local, pois são Estados com pouca infraestrutura para receber essa quantidade de imigrantes de outras culturas e, à medida que se vão espalhando por outros Estados e se integrando à vida nacional, as coisas se resolvem. Imigrantes que chegam da Síria ou de países da África com estatuto de refugiados também vão-se integrando, pois não somos xenófobos. Pelo contrário, o brasileiro é hospitaleiro e recebe muito bem o estrangeiro, à sua maneira, é claro.
Desde o início da colonização brasileira, o Brasil se formou com a presença de imigrantes vindos de diferentes partes do mundo. Temos uma matriz étnica de origem portuguesa, africana e ameríndia, mas, sobretudo a partir do século XIX, o Brasil se agigantou com a vinda de milhares de imigrantes vindos da Europa e da Ásia, principalmente.
No Espírito Santo, recebemos milhares de imigrantes italianos e Santa Teresa comemorou os 144 anos da imigração italiana em nosso Estado com muita festa. É um município que se orgulha dessa herança e a brinda com cantos, danças, comida e bebida. Estive lá, na Carretela Del Vin, e nunca vi tanta gente bonita junta, comemorando alegremente, sem briga, tumulto, confusão. A patrulha da Polícia Militar assistia à festa de camarote, sem necessidade de qualquer intervenção. O Círculo Trentino, organizador da festa, primou pela organização e pelo brilho da festa. Parabéns!
E, para não dizer que o teresense é só de farra, no mesmo dia, A GAZETA trazia a seguinte manchete: “Colégio de Santa Teresa vira exemplo da rede estadual”. A escola estadual José Pinto Coelho alcançou a maior pontuação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2017, com 572,21 pontos, desbancando a Victório Bravim, de Marechal Floriano, sempre nos primeiros lugares da lista. Interessante é que a escola de Santa Teresa nunca esteve na lista das dez mais, o que se deve a um trabalho integrado de toda a equipe e da comunidade, conforme a diretora Marcela Cavati. Viva!
*O autor é professor e escritor