Os brasileiros pagaram R$ 10,7 bilhões em emendas parlamentares em 2017, ano em que o presidente da República balançou no cargo, alvejado por denúncias de corrupção. O montante é 48% a mais do que o registrado em 2016. Trata-se da maior liberação de verbas para esse fim, nos últimos quatro anos. Não há teto para atender à gula do Congresso nem às conveniências de Temer.
O retorno dessa gastança para a população é duvidoso. A saúde é área obrigatória para receber verbas de emendas, embora várias outras atividades sejam contempladas. Pouco se sabe sobre bens ou serviços comprados e o valor exato de cada um. A transparência é precária.
E há relatos de uso desastroso das emendas. Em Maracanaú, no Ceará, serviram, no mês de junho último, para quitar cachês de artistas como Wesley Safadão (R$ 250 mil), Bruno & Marrone (R$ 250 mil), Victor & Leo (R$ 200 mil) e Aviões do Forró (R$ 180 mil). O povo dançou, literalmente.
A bolada de R$ 10,7 bilhões é só uma parte da conta paga com dinheiro arrecadado com pesados impostos. O total foi quase três vezes maior. A salvação de Temer após dois petardos desferidos pela Procuradoria-Geral da República custou R$ 32 bilhões, somando as concessões danosas ao Tesouro negociadas pelo Planalto entre junho e outubro – que contribuíram para o elevar o rombo no Orçamento.
Recém-desembarcado no Planalto, o ministro Carlos Marun, responsável pela articulação com o Congresso, costuma repetir que a liberação de emendas é permanente. Pode ser, mas deve respeitar o limite da sensatez a não atropelar a austeridade indispensável ao ajuste fiscal. O dinheiro farto para atender interesses de parlamentares aliados é paradoxo ante à escassez para necessidades básicas da população.