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Luto

A cultura capixaba perde um grande voluntário

Senhor Dedé soube, com perspicácia de pesquisador e faro de historiador, recolher e conservar uma série variada de documentos que hoje podem subsidiar inúmeras pesquisas sobre a História do ES

Publicado em 23 de Fevereiro de 2018 às 18:25

Públicado em 

23 fev 2018 às 18:25

Colunista

Edward D’Alcântara Athayde - ou sr. Dedé - era mais que um voluntário cultural, mais que o nosso líder maior, mais que um escritor. Senhor Dedé, como era carinhosamente chamado, era um apaixonado pesquisador das Histórias de Vila Velha e do Espírito Santo, desde os tempos de estudante nos anos 1940, até finalizar o ensino secundário, o que era privilégio para poucos naqueles tempos. Finalizou o curso de agrimensor em 1949, organizado pelo Estado. Uma grande conquista para a sua família.
Apaixonado pela missão de resgatar a história do nosso povo, tinha uma visão diferenciada dos historiadores e memorialistas acadêmicos que, ao procurar os paradoxos, incomodava e trazia consigo uma das funções do historiador, o de pesquisador sistêmico, no ato de preservar a história do nosso povo, sempre com a preocupação que o real dos aspectos sociais e econômicos, não sejam deturpados no presente, e tragam sérios erros para o futuro. Podemos confirmar essa sua característica lendo os originais do seu último livro “Os índios do Espírito Santo”, que está em fase de revisão, e que pretendemos produzir o seu lançamento “in memoriam”, ainda neste ano.
Tinha uma biblioteca e um acervo particular dos mais importantes. Ao longo de muitos anos, soube, com perspicácia de pesquisador e faro de historiador, recolher e conservar uma série variada de documentos que hoje podem subsidiar inúmeras pesquisas sobre a História do Espírito Santo. Sua biblioteca possui livros raros e valiosos, garimpados nos principais sebos do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife.
Podemos citar “As Cartas Jesuíticas” organizadas por Serafim Leite, as “Poesias de José de Anchieta”, transcritas e traduzidas por Maria de Lurdes de Paula Martins, entre outras obras raras.
Apesar de ser o nosso grande conselheiro benemérito fundador, já tendo sido presidente, fez questão de ser candidato a presidente, na última eleição, sendo eleito por unanimidade. De uma vitalidade impressionante. Nos últimos meses, concluiu dois livros, e estava escrevendo um terceiro de histórias infantis, em homenagem aos netos, e que não teve tempo de concluir.
Faleceu em 22 de fevereiro, aos 88 anos, vencido por um moinho com quem há alguns anos travava importante batalha de saúde. Sr. Edward D’Alcântara Athayde deixa esposa, cinco filhos, noras, genro, netos e bisnetos.
Digo moinho, porque o chamava de “meu querido Don Quixote”, nosso presidente inspirador e que tive a honra de ser seu discípulo e vice-presidente no Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha (IHGVV), e me lembrarei sempre dessa citação: “Só quem faz mais que outrem, é que é mais que outrem” – Dom Quixote.
*O autor é vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha

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