Desde 2014, o antipetismo que começara a ganhar forma e expressão um ano antes, nas marchas de 2013, tem afetado o PT em todo o país, mas em poucos Estados como no Espírito Santo. A rejeição ao partido e aos candidatos petistas tem sido um fenômeno de abrangência nacional, mas especialmente grave para o PT capixaba, acentuando-se a cada novo pleito e traduzindo-se em resultados eleitorais muito ruins. Por aqui, eleição após eleição, o partido tem perdido terreno demais, sem dar sinal algum de reação.
O Espírito Santo, a julgar pelos números, parece ter se consolidado como um colégio eleitoral anti-PT. É algo até admirável se levarmos em conta que estamos falando do mesmo Estado que elegeu um dos primeiros prefeitos do PT em uma capital brasileira (Vitor Buaiz, em 1988) e o primeiro governador petista em um Estado da federação (o mesmo Vitor, em 1994). Mas os números mais recentes não dão espaço a dúvida.
Em 2014, primeiro ano da Operação Lava Jato, o então deputado estadual Roberto Carlos (hoje na Rede Sustentabilidade) foi candidato ao governo do Espírito Santo. Com 6% dos votos válidos, teve o pior desempenho de um candidato petista ao governo de um Estado naquele ano.
Na eleição ao Senado, com 20% dos votos, João Coser ficou em 3º lugar, atrás de Rose de Freitas (então no MDB, hoje no Podemos) e Neucimar Fraga (então no PV, hoje no PSD). Mesmo com recall político elevado – deixara a Prefeitura de Vitória menos de dois anos antes –, Coser só ganhou em três pequenas cidades.
Já na eleição à Presidência, Dilma Rousseff venceu no país, mas perdeu no Espírito Santo. No 1º turno, ficou atrás de Aécio Neves (PSDB) e até de Marina Silva (então no PSB) em Vitória e em Vila Velha. No 2º turno, Dilma teve 46% dos votos. Perdeu para Aécio em 40 das 78 cidades, incluindo Vitória e Vila Velha.
Já na última eleição municipal, em 2016, o partido de Lula beijou a lona em solo capixaba: só conseguiu eleger um prefeito no Espírito Santo, e isso na pequena Barra de São Francisco: Alencar Marim. Na Grande Vitória, lançou só dois candidatos, com desempenhos sofríveis: na Serra, Givaldo Vieira (hoje no PCdoB) teve 4% dos votos. Na Capital, Perly Cipriano foi ainda pior, com 3,5% dos votos. O PT não elegeu nenhum vereador nas câmaras de Vitória e de Vila Velha.
Em 2018, a devastação continuou nas urnas capixabas. Na Assembleia, o PT do Espírito Santo só elegeu uma deputada estadual: Iriny Lopes. Em 2014, tinha elegido três. Na Câmara Federal, fez um deputado: Helder Salomão, reeleito. Quatro anos antes, além de Helder, elegera Givaldo Vieira. A candidata petista ao Senado, Célia Tavares, não chegou a 5% dos votos.
Na eleição presidencial, se os capixabas respondessem por todos os eleitores brasileiros, Bolsonaro teria vencido no 1º turno, com 59% dos votos válidos. No 2º turno, o candidato de extrema direita atingiu 63%, contra 37% de Fernando Haddad. Bolsonaro venceu em 64 cidades, incluindo todas da Grande Vitória.
Com números assim, a eleição municipal de 2020 é decisiva para as pretensões do PT de dar a volta por cima. Para isso, Lula livre pode ser uma ajuda e tanto. Ou um grande complicador.