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A crise nacional do PT é ainda mais grave no Espírito Santo

As dificuldades que o partido de Lula vem enfrentando nacionalmente desde 2014 são ainda maiores no Estado. Eleição após eleição, os capixabas têm imposto derrotas dolorosas ao partido nas urnas

Publicado em 18 de Novembro de 2019 às 14:51

Públicado em 

18 nov 2019 às 14:51
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Em 1994, Vitor Buaiz tornou-se o primeiro candidato do PT eleito governador de um Estado brasileiro; em 2018, a candidata petista ao governo, Jackeline Rocha, teve somente 7,4% dos votos Crédito: Reprodução Jornal A Gazeta e Fernando Madeira
Desde 2014, o antipetismo que começara a ganhar forma e expressão um ano antes, nas marchas de 2013, tem afetado o PT em todo o país, mas em poucos Estados como no Espírito Santo. A rejeição ao partido e aos candidatos petistas tem sido um fenômeno de abrangência nacional, mas especialmente grave para o PT capixaba, acentuando-se a cada novo pleito e traduzindo-se em resultados eleitorais muito ruins. Por aqui, eleição após eleição, o partido tem perdido terreno demais, sem dar sinal algum de reação.
O Espírito Santo, a julgar pelos números, parece ter se consolidado como um colégio eleitoral anti-PT. É algo até admirável se levarmos em conta que estamos falando do mesmo Estado que elegeu um dos primeiros prefeitos do PT em uma capital brasileira (Vitor Buaiz, em 1988) e o primeiro governador petista em um Estado da federação (o mesmo Vitor, em 1994). Mas os números mais recentes não dão espaço a dúvida.
Em 2014, primeiro ano da Operação Lava Jato, o então deputado estadual Roberto Carlos (hoje na Rede Sustentabilidade) foi candidato ao governo do Espírito Santo. Com 6% dos votos válidos, teve o pior desempenho de um candidato petista ao governo de um Estado naquele ano.
Roberto Carlos foi candidato ao governo do Espírito Santo em 2014 Crédito: Divulgação- Jornal A GAZETA
Na eleição ao Senado, com 20% dos votos, João Coser ficou em 3º lugar, atrás de Rose de Freitas (então no MDB, hoje no Podemos) e Neucimar Fraga (então no PV, hoje no PSD). Mesmo com recall político elevado – deixara a Prefeitura de Vitória menos de dois anos antes –, Coser só ganhou em três pequenas cidades.
Já na eleição à Presidência, Dilma Rousseff venceu no país, mas perdeu no Espírito Santo. No 1º turno, ficou atrás de Aécio Neves (PSDB) e até de Marina Silva (então no PSB) em Vitória e em Vila Velha. No 2º turno, Dilma teve 46% dos votos. Perdeu para Aécio em 40 das 78 cidades, incluindo Vitória e Vila Velha.
Já na última eleição municipal, em 2016, o partido de Lula beijou a lona em solo capixaba: só conseguiu eleger um prefeito no Espírito Santo, e isso na pequena Barra de São Francisco: Alencar Marim. Na Grande Vitória, lançou só dois candidatos, com desempenhos sofríveis: na Serra, Givaldo Vieira (hoje no PCdoB) teve 4% dos votos. Na Capital, Perly Cipriano foi ainda pior, com 3,5% dos votos. O PT não elegeu nenhum vereador nas câmaras de Vitória e de Vila Velha.
Em 2018, a devastação continuou nas urnas capixabas. Na Assembleia, o PT do Espírito Santo só elegeu uma deputada estadual: Iriny Lopes. Em 2014, tinha elegido três. Na Câmara Federal, fez um deputado: Helder Salomão, reeleito. Quatro anos antes, além de Helder, elegera Givaldo Vieira. A candidata petista ao Senado, Célia Tavares, não chegou a 5% dos votos.
Na eleição presidencial, se os capixabas respondessem por todos os eleitores brasileiros, Bolsonaro teria vencido no 1º turno, com 59% dos votos válidos. No 2º turno, o candidato de extrema direita atingiu 63%, contra 37% de Fernando Haddad. Bolsonaro venceu em 64 cidades, incluindo todas da Grande Vitória.
Com números assim, a eleição municipal de 2020 é decisiva para as pretensões do PT de dar a volta por cima. Para isso, Lula livre pode ser uma ajuda e tanto. Ou um grande complicador.

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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